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A Maçonaria, Moral And Dogma...

A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: "Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se a honra e aos interesses de seu País".

Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole.

Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplendidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo- nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.

É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos. Este solecismo tem existido por todas as épocas. O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertados a infidelidade e o vício. A retidão dos protestantes apregoa, freqüentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.

Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela esta ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento, falta a pratica ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.

Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.

Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios. Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.

Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; esta é a velha história das deficiências humanas. Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas coisas são culpados delas, eles mesmos.

Já nos foi dito: "Homem, quem quer que sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas."

É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.

Os homens podem realmente, de um certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.

Muitos desejam sinceramente ser bons Maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.

Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.

A operosidade jamais é infrutífera. Senão trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Têm-se liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encara-la como uma dádiva dos Céus; têm-se a predisposição de usar bem esta liberdade, então é uma dádiva da Divindade.

Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados. Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que se deliciar nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade. Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunados

A fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos. Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grade garantia da liberdade popular. Se isto for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.

Não é a missão da Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil. Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos. Ela é o apostolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião. Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.

A maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal devem ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto à necessidade tem por prioridade nas lidas humanas. A maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão. Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, ai residem as simpatias da Maçonaria.

A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo. Onde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defende-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.

O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve. Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, junto aos melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.

A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter a posição que Ele lhe confiou na criação. O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e a Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.

O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.

Não se esqueçam, pois daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento, o destituído contra o poderoso, o oprimido contra o agressor! Mantenha-se vigilante quanto aos interesses e à honra de teu país! E possa o Grande Arquiteto do Universo dar-lhe a força e a sabedoria para mantê-lo firme em seus altos propósitos!

Albert Pike

Soberano Grande Comendador - Escrito em 1871 (Moral And Dogma)

Curiosidade Sobre Tirandentes

Em 1719 foram criadas as tais companhias de Dragões, forças militares profissionais formadas para ajudar na manutenção do sistema de cobranças relativas às pedras preciosas e tal... Bem, eu queria saber se Tiradentes tinha algo a ver com essas forças militares. Já li que ele foi comandante dos Dragões...

sentou praça

Tiradentes ingressou nos Dragões de MG em 1775, no posto de Alferes, algo semelhante ao posto de sargento, hoje - a patente que faz a ligação entre os oficiais e a tropa. Alguns historiadores falam em tenente, mas esta sugestão diz mais respeito a dignidade do personagem do q às funções efetivas que ele desempenhava.

Ele nunca obteve uma promoção, fato q o deixava extremamente insatisfeito, por que ele era reconhecido pelo desempenho e conhecimento de sua profissão.

Tiradentes na Europa?

Isolde Helena Brans, uma hsitoriadora gaúcha, ataualmente radicada em Campinas, descobriu provas (no Arquivo Ultramarino, em Lisboa, Portugal) de que o Alferes da Cavalaria de Minas Gerais esteve na Europa, onde entrou clandestinamente e ficou pelo período de um ano e meio. No "Livro da Porta", onde se registravam as pessoas que chegavam à Corte, ela descobriu o nome de Joaquim José da Silva Xavier, com a data de 4 de setembro de 1787. Também na Torre do Tombo há referência à estada de Tiradentes em Lisboa, no livro 30 da Chancelaria da Rainha D. Maria I. Nas suas investigações dra. Helena rastreou a viagem de Tiradentes à Europa como integrante de um grupo pré-revolucionário que usava o codinome de "VENDEK". Também foram encontradas cartas e outros documentos que comprovam os encontros de Thomas Jefferson com o Alferes.

Tiradentes, o bode expiatório

Novos estudos históricos apresentam uma inconfidência mineira diferente daquela que nos narram os livros didáticos.

Embora a historiografia oficial considere a inconfidência mineira (1789) como uma grande luta para a libertação do Brasil, o historiador inglês Kenneth Maxwell, autor de "A devassa da devassa" (Rio de Janeiro, Terra e Paz, 2ª ed. 1978.) que esteve recentemente no Brasil, diz que "a conspiração dos mineiros era, basicamente, um movimento de oligarquias, no interesse da oligarquia, sendo o nome do povo invocado apenas como justificativa", e que objetivava, não a independência do Brasil, mas a de Minas Gerais.

Esses novos estudos apresentam um Tiradentes bem mudado: sem barba, sem liderança e sem glória. Segundo Maxwell, Joaquim José da Silva Xavier não foi senão o "bode expiatório" da conspiração. (op.cit., p. 222) "Na verdade, o alferes provavelmente nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos mais amplos do movimento." (p.216) O que é natural acreditar. Como um simples alferes (o equivalente a tenente, hoje) lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores?

A Folha de S. Paulo publicou um artigo (21-04-98) no qual se comenta os estudos do historiador carioca Marcos Antônio Correa. Correa defende que Tiradentes não morreu enforcado em 21 de abril de 1792. Ele começou a suspeitar disso quando viu uma lista de presença da Assembléia Nacional Francesa de 1793, onde constava a assinatura de um tal Joaquim José da Silva Xavier, cujo estudo grafotécnico permitiu concluir que se tratava da assinatura de Tiradentes. Segundo Correa, um ladrão condenado morreu no lugar de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida pela maçonaria. Testemunhas da morte de Tiradentes se diziam surpresas, porque o executado aparentava ter menos de 45 anos. Sustenta Correa que Tiradentes teria sido salvo pelo poeta Cruz e Silva (maçom, amigo dos inconfidentes e um dos juízes da Devassa) e embarcado incógnito para Lisboa em agosto de 1792.

... a cabeça de Tiradentes, levada do Rio de Janeiro para Vila Rica e exposta num poste em frente da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios dos Brancos, foi roubada na terceira noite e nunca mais foi encontrada.

... considerada por muitos uma conspiração de poetas e loucos, a Inconfidência Mineira apresenta números que negam a teoria. Os Autos da Devassa implicam 84 pessoas - apenas 24 condenados. Os números: militares foram 15, Civis foram 62 e clérigos foram 7. Entre os militares, está presente quase toda a oficialidade do Regimento de Cavalaria Regular de Minas. Entre os civis, destacam-se: 1 banqueiro, 4 engenheiros, 12 bacharéis em Direito e 4 médicos.

Barra de ouro com o símbolo da Coroa Portuguesa, de 1720

... alferes, do árabe al-fars, o cavaleiro, era o antigo oficial do exército com posto logo abaixo do de tenente.

... escrito por Tomás Antônio Gonzaga durante sua prisão no Rio, em 1789, Marília de Dirceu é um dos mais belos poemas de amor da língua portuguesa. Foi dedicado à jovem Maria Dorotéia de Seixas, com 16 anos na época, por quem o poeta, com 43 anos, se apaixonou e com quem iria se casar se não tivesse sido preso e enviado para à África.

... o encarregado de enforcar Tiradentes, o carrasco Jerônimo Capitânia é, como costumava acontecer, um escravo que teve a condenação à morte transformada em prisão perpétua. Em troca, deve executar as penas capitais impostas pela Coroa, em geral contra negros. Nete caso, Capitânia é "premiado" com a rara oportunidade de executar um branco. Em 1874, a pena de morte foi abolida no Brasil

... tradicional no imaginário popular desde o século 19, a imagem de Tiradentes com barba e cabelos longos é consagrada no governo Castelo Branco (1964-67). Em 1966, Castello lhe dá o título de Patrono Cívico da Nação e promulga decreto obrigando que toda representação do alferes se baseie na figura retratada por Francisco Andradce, em escultura exposta no Palácio Tiradentes (RJ). Tal retrato já era condenado por historiadores, os quais afirmavam que os condenados à morte tinham cabeça e rosto raspados antes da execução. O decreto é revogado, em 1976, por Ernesto Geisel. Agência RBS

A imagem que nos deram do Tiradentes e a imagem criada pelos "marqueteiros" da "republica", que foi instituida de cima para baixo, ela necessitava de heróis. Pegaram a figura de um homem indo para a forca, que lógicamente deveria estar com o cabelo e a barba bem aparados, para que o laço corresse bem pelo pescoço, e cristianizaram com os cabelos e a barba compridos. Dentre as figuras que comandara a Iconfidência ele era uma figura menor, somente um grande agitador de massas.

Os principais dirigentes pertenciam a famílias ilustres e a corte negociou, mas alguem, como já disseram, tinha de ser punido. Uma outra estória que necessita ser corrigida para virar história é a de José Bonifácio, que se auto proclamou o patriarca da independência, mandando confeccionar 100 mil cartazetes, o que era uma das formas de mídia na época, e distribuiu por todo o Império. A imagem que todos nós vimos nos livros de história é está. Enquanto o real patriarca, o homem da revolução Pernanbucana, Gonçalves Lêdo, defensor da Republíca Democática, em contrapartida a Republíca Monarquista, vencedora, acaba por morrer esilado na Argentina, morrendo tuberculoso. José Bonifácio, que era o cabeça do apostolado católico, perseguidor de maçons, manda fechar todas as Lojas que não fossem monarquistas, mandando prender muitos irmãos maçons. Gonçalves Lêdo era ligado ao Grande Oriente França e José Bonifácio a Maçonaria Inglesa. Na Inglaterra não aconteceu a ruptura burguesa, houve um pacto de poder com a criação da Camâra dos Comuns, o Império do Brasil era vinculado dependentemente a Inglaterra. A Cabanagem, movimento revolucionário no Pará, também era ligado a Maçonaria e foi perseguido e destruido pela armada inglesa, sob a orientação do Regente Feijó. Temos de repensar este país e um começo é reescrever a nossa história.

Fonte Primária.

Documento do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro:

"Pedro Affonço Galvão de São Martinho, Sargento Maior Comandante do Regimento de Cavalaria Regular de Vila Rica de que é Coronel e Ilmo e Exmo Senhor Visconde de Barbacena, Governador e Capitão General da Capitania de Minas Gerais.

Certifico que Joaquim José da Silva Xavier, Alferes da 6ª Companhia do dito Regimento, saiu desta capital para o Rio de Janeiro em 2 de março de 1787, com dois meses de licença, e depois teve mais dois meses de prorrogação, concedido pelo Exmo Senhor Luiz da Cunha Menezes que era governador e Capital general desta Capitania; além do dia tempo, o mesmo Alferes se demorou no Rio de Janeiro, por moléstias e outras causas, até que se apresentou no Regimento em 28 de agosto de 1788. Teve segunda licença de um mês, para vir ao Rio de Janeiro, que principiou em 10 de março de 1789, a qual excedeu, o que tudo consta dos mapas de mês do Regimento e do livro mestre consta a folha 19, em que esta o acento do dito alferes, que em 10 de maio de 1789 foi preso na Ilha das Cobras do Rio de Janeiro a ordem do Ilmo e Exmo.Sr. Visconde de Barbacena Governador e Capitão General desta Capitania. Vila Rica, 10 de putubro de 1789.

Pedro Affonço Martinho,Sargento Maior Comandante."

Portanto, analisando esta documento-FONTE PRIMÁRIA- e deixando a emoção de lado, é no mínimo razoável ser de toda inviável a viagem de Tiradentes a Europa.

Muito já se falou e muito já se escreveu sobre a possível condição de Maçom de TIRADENTES, gerando uma série de controvérsias que a gente não sabe quais os autores confiáveis. Isso acabou gerando uma história distorcida que com tanta repetição quase chegam a ter foros de verdade. Uma mentira repetida muitas vezes acaba sendo considerada uma verdade. Um historiador, para fazer uma afirmação de que Tiradentes foi Maçom, deve se basear em documentos que comprove essa condição e infelizmente, até hoje, ninguém encontrou nada dando prova disso.

De uns tempos para cá, surgiu, no meio historiográfico a hipótese de que Tiradentes tivesse estado na Europa e mantido contato com Thomas Jefferson, no sentido de obter apoio para uma revolução emancipadora. Afirmam, até, que ele seria o misterioso emissário Vendeck, que fez contato com Jefferson.

A partir dessa hipótese, alguns historiadores Maçons, que, contra toda a evidência, querem fazer crer que o Tiradentes foi Iniciado, passaram a especular sobre a possibilidade dele ter sido Iniciado na Europa, já que no Brasil não existiam Lojas Maçônicas. Outros autores (usando mais o coração do que a razão) chegam ao cúmulo de afirmar que ele teria sido Iniciado (por comunicação ou não) no Rito Escocês e dão até o nome do Venerável Mestre que o consagrou. Vale a pena salientar que naquela época além de não haver uma só Loja Maçônica no Brasil, o referido Rito só apareceu em 1801 na França e chegou ao Brasil muito depois dos Ritos Moderno e Adonhiramita que foram introduzidos junto com as primeiras Lojas fundadas no nosso País.

Também existe aquela velha questão na Maçonaria de que todo vulto histórico de destaque positivo foi Maçom, enquanto que os de destaque negativo certamente não o foram. Então a vontade de se fazer Tiradentes Maçom é grande. Eu, particularmente, fico com autores que bebem das fontes primárias e deixam a emoção de lado como José Castellani, Prober e não leio mais Tenório de Albuquerque.

Tenório D'Albuquerque:Maquiador

Escreveu o que quiz sem comprovação documental de nada, ou seja: sem fundamentar suas pesquisas em nenhuma fonte primária. Escreveu com o coração e não com a razão. Definitivamente, Tenório D'Albuquerque não é um historiador. Contribuiu muito para maquiar a nossa história e eivá-la de inverdades. Pena de quem acredita nelas.

Reflexão - Grau Sete – Preboste e Juiz

S:.F:.U:.

Ir:. João Ceppaluni Filho

Este grau nos leva meditar sobre o Supremo Juiz e Gestor do Universo- GADU, que Sempre nos guia em nossas decisões, sendo tão magnífico que nos permite errar e corrigir.

Observamos que sempre a nossa vida é resultado de decisões boas ou más, sendo que as excelentes decisões de ontem podem ser as péssimas de amanhã, pois somos eternos aprendizes.

As pessoas que geraram nosso corpo tomaram decisão de se unir, porem sem o GADU determinar a Alma que animaria este corpo não estaríamos aqui, isso demonstra que somos desde nossa geração eternos vencedores. Por isso devemos agradecer sempre o GADU, nossa feliz vida neste Planeta e em resposta devemos sempre aprimorar nossa Alma para que no próximo corpo seja melhor e mais atuante.

Os nossos Pais na gestação já tomam decisões que nos influenciará por toda a vida terrena que este corpo em gestação passará. Através de assistência médica, amor, cuidados etc.

Após nosso nascimento, a alma irá reaprendendo a viver no planeta, ajudados por nossos Pais e Familiares onde teremos famílias harmoniosas, boa educação, boa alimentação e amor, sempre através de decisões e julgamentos.

A medida que formos crescendo também participamos destas decisões, que irão influenciar nosso futuro e aprimoramento de nossa Alma, porem por sermos inexperientes nem sempre notamos.

Na idade adulta as necessidades de tomada de decisão vão sempre aumentando, o que devemos estudar, com quem casar, como manter nossa família, como amparar nossos

pais e familiares, etc.

Devido cada decisão ser procedida de julgamentos, devemos meditar o tempo necessário requerido para cada julgamento para depois tomarmos a decisão, quer seja na vida pessoal e ou profissional.

Após julgamentos e tomada de decisão devemos meditar antes de anunciar, pois após publicado muitas vezes será impossível corrigir o erro caso cometemos, pois será como reunir papel picado jogado ao vento.

A conclusão que posso tirar neste momento é que o grau sete nos demonstra que de certa forma todos tem razão dependendo do anglo de visão ou nossa experiência no momento, por isso somos eternos aprendizes e devemos constantemente rever nossos julgamentos para sempre tomarmos decisões com justiça e fraternidade.

Que o G:A:.D:.U:. a todos ilumine e guarde

Oriente de São Bernardo do Campo, 16 de Setembro de 2005. EV.

Considerações a respeito das letras M:.B:. do avental do M:.M:.

M – a mais sagrada de todas as letras, segundo o dicionário esotérico, pois é ao mesmo tempo masculino e feminino, isto é uma letra andrógina. É uma letra mística em todos os idiomas, orientais e ocidentais. O nome sagrado de Deus em Hebraico, aplicado a letra M, é “MeBorach”, que quer dizer o Santo ou o Bendito.

B – É uma clara expressão da dualidade dos princípios superpostos, que evidenciam a lei da polaridade. Mostra claramente a relação entre o superior e o inferior, o céu e a terra e o espirito e matéria. O lado curvo, corresponde a involução ou revelação do espírito na matéria. O lado reto, é o ascendente que corresponde à evolução do Espirito na matéria. O lado reto mostra o domínio do homem, e o lado curvo o da matéria. A forma hebraica desta letra e Beth, e tem uma relação com o princípio da vida.

Em nossa pesquisa encontramos varias interpretações para o M:.B:. do avental do M:.M:., umas até interessantes, que tentaremos reproduzir , e outras tão absurdas que não convém nem citá-las, por riscos de reproduzirmos o ridículo sem berço e sem fundamento.

MohaBon

Respeitando as várias opiniões , já que existem muitas

controvérsias sobre a origem do M:.B:., preferimos ficar com o que nos ensinou nossos mestres, que alias é endossado pela convenção de “Lösane”, Setembro de 1875, que afirma o seguinte:- O avental do M:.M:. do Rito Escocês Antigo e Aceito, será branco forrado de vermelho com as iniciais M:. B:. alusivas à palavra S:. do Grau . Quando fomos exaltado , aprendemos sobre a belíssima lenda do nosso mestre Hiran, e a parte que mais nos tocou, foi quando os irmãos encontraram o corpo, já em estado de putrefação, e ao tentar levantá-lo, exclamaram:-‘A carne se desprende dos ossos”!! em hebraico M:. H:. B:., que foi adotada pela maioria dos ritos maçônicos, como a palavra S:. do M:.M:. . É lógico que a tradução difere de acordo com o idioma, mas a essência é e será sempre a mesma em todos os ritos e potências.

Mak Benak

O manuscrito “The Graham”, do ano de 1726, fala sobre a lenda de Noé e seus três filhos “Sem, Cam e Jafet, que encontramos nos antigos rituais. Noé teria recebido do GADU, a missão de construir a Grande Arca, que embora de madeira fora construída segundo a Geometria, e de acordo com as regras maçônicas.

Diz a lenda que os três filhos foram até o túmulo do pai Noé, a fim de tentar descobrir o segredo que possuía o grande patriarca Bíblico. Quando tentaram levantar o corpo já em avançado estado de decomposição, um dedo e um pulso se desprendeu, e só conseguiram levanta-lo, fazendo uso dos “Cinco Pontos Perfeitos”.

Um dos filhos teria dito:- “Ainda há tutano neste osso” ! [Marrow in the Bone” –] segundo alguns pesquisadores maçônicos, origem das iniciais M:.B:., que mais tarde se tornaria “Mak Benak”.

Este é o único documento que se refere a lenda de Noé, com conexão com os C:.P:.P:. e com a palavra S:. do mestre . A lenda de Hiram ainda não era conhecida.

Moab Bem-ami

Jules Boucher, defende a teoria Moabita [“O que vem do Pai”], aliás interpretação aceita por muitos rituais antigos, que cita o incesto praticado pela duas filhas de Ló [Gênesis cap 19 vs. 30 a 38]

Ló vivia com suas duas filhas, num local onde não existia nenhum outro homem . Para que se cumprisse a tradição do patriarcado, e a geração do genitor, e não havendo outra solução, elas resolveram embebedar o pai com vinho, e copularam com ele, totalmente embriagado. A primeira a cometer o incesto foi a primogênita, que engravidou e deu a luz a um filho, dando lhe o nome de “ Moab” [que vem do pai], em seguida a Segunda filha a imitou e deu a luz a “ Bem-Ami” [pai do filho] .

Desse fato surgiu na Maçonaria a estranha interpretação “Aquele que vem do pai” ou “geração do pai’. Maçons que aceitavam essa hipótese tentaram relacionar a imoralidade do incesto com podridão, putrefação etc. Adversários da maçonaria, aproveitaram-se disto para desmoralizar e denegrir a sublime ordem, como por exemplo o escritor antimaçonico Paulo Rosen em sua obra “Satan e Cia”.

Maugh Bin

Num apêndice da sua obra “Historiy of Free Masonary”, à página 487, o Ir:. R. F. Gould reproduz uma publicação do jornal sensacionalista “Flying Post” [Correio Volante ] , impresso em Abril de 1723, descrevendo o que seria uma iniciação Maçônica.

Prossegue o articulista contando que ao candidato, entre outras coisas , era revelada a palavra “Maughbin “, a qual era transmitida de ouvido a ouvido ate chegar ao Mestre. Então o candidato era posto à ordem como o Mestre, e devia recitar :- [traduzido p/ o português]

Fui iniciado Maçom,

Vi “B” e “J ”.

  • Prestei o rarissimo juramento .
  • Conheço a pedra o diamante e o esquadro.
  • Conheço perfeitamente a parte do Mestre.
  • Como um probo “Maughbin” poderá dizer-vos

Bons autores apontam a palavra MaughBin ou MachoBin cuja tradução é algo parecido com ;- “ É ele , ele esta morto” !!

De qualquer modo isto está relacionada com “Putrefacto”, e o significado varia conforme o idioma. Em Francês por ex. quer dizer ;- “podre até os ossos” [ la chair quitte les os”].

Mac Benah

Os Jacobitas e a lenda de Hiram – vasta literatura sobre o Grau de mestre, levanta a hipótese de a lenda de Hiram ter surgido por inspiração política dos partidários dos Stuarts, os Jacobitas.

Em 30.01.1649, o Rei Carlos I dos Stuarts foi decapitado por decisão do parlamento Inglês. Após a morte do Rei os maçons Jacobitas, por segurança acobertavam seu partidarismo por segredo. Assim o filho do decapitado passou a representar o Verbo, a Palavra Perdida, e os maçons eram os filhos da viuva, alusão a rainha Henriette de França, viúva do finado Rei.

Mackey, na sua enciclopédia definiu a palavra MacBenah como derivada do dialeto gaélico, significando “Filho Abençoado”, alusão ao príncipe filho de Carlos I . A nosso ver os maçons Jacobitas apenas se aproveitaram da doutrina maçônica da época, em proveito de suas tendências de hegemonia dos Stuarts, mas é bom lembrar, que a lenda do Mestre Hiram so viria a existir quase um século após.

Maçonaria Brasileira

Só a titulo de curiosidade, vamos citar o Ir:. Manuel Gomes no seu “Manual do Mestre Maçom”, pag. 321 a 334 “O manifesto Maçônico do primeiro G:. M:. do Grande Oriente do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva, que entre outras observações, critica a disseminação de lojas estrangeiras, com rituais executados nos vários idiomas, menos no da nossa pátria, e conclama os maçons patriotas a usarem obrigatoriamente nos aventais de mestre as iniciais M:. B:., alusivo a “Maçonaria Brasileira” .

A bem da verdade em nossa pesquisa, encontramos uma infinidade de explicações e definições a respeito do M:.B:., porem por irrelevantes, citamos as que realmente interessam à Sublime Ordem.

Mak Benak – usada pelo Rito Adonhiranita, Mak origem Galica significa –podridão, estar podre.

Mac Benac – Rito Moderno ou Francês, “Viver no Filho”

MoaBom - Rito Schroeder “O filho do Mestre está Morto”.

MohaBon – Rito E:.A:.E:.A:. “A carne se desprende dos Ossos”.

Mac-Benah – “Filho da Putrefação ou do Mestre Morto”

Macheh-Bea [Beamacheh] – Deus seja Louvado”.

Como se vê , não obstante as inúmeras definições e variações, a mensagem que fica é a mesma. A afirmação da imortalidade, a eterna ressurreição, é preciso morrer, apodrecer afim de renascer para o eterno ciclo cósmico. O Mestre exaltado transpõe a materialidade da morte e assume a preponderância do espírito.

Meus irmãos, isto posto concluímos que antes e alem de tudo, há algo especial na exaltação, qual seja :

Exaltação, vem do latin : - EX – ALTARE, ou seja alem do altar, transpor o altar, mudar transcedentalmente de nível, quero dizer o Maçom , [com os três golpes que feriram o Mestre Hiran] deve destruir em si mesmo,

1 – O coração – mudando seus sentimentos, do egoísmo p/ o amor ao próximo, e a humanidade;

2 – A garganta – aprimorando o seu verbo ou expressão, de modo a tornarem-se somente palavras úteis, verdadeiras, e sempre que possível agradáveis;

3- A cabeça – Pondo em sua mente um novo modo de pensar,

elevando–se acima do material, temporal e finito para renascer sobre o símbolo da acácia imperecível, num nível superior de compreensão e consciência que o tornará um autentico e digno mestre.

Para finalizar, uma máxima mística para os Ir:. refletirem:

“NASCEMOS PARA MORRER, E MORREMOS PARA NASCER”!!

Meus Irmãos; que o G:.A:.D:.U:. cuja sabedoria divina dirige suave e poderosamente todas as coisas, nos abençoe e nos ilumine para que possamos passar um pouco do nosso modesto conhecimento a todo irmão que queira fazer progresso na nossa “Sublime Ordem”.

T:.F:.A:.

Trabalho elaborado por José Roberto Mira M:.M:. A:.R:.L:.S:. Renascer 130 Oriente de Caraguatatuba [SP]

Livros e Autores Consultado:

  • Curso de Maçonaria Simbólica – Theobaldo Varoli Filho
  • O Mestre Maçom – Francisco Assis Carvalho {Chico Trolha]
  • A Simbólica Maçônica – Jules Boucher
  • Manual do Mestre Maçom – Manoel Gomes
  • Maçonaria e o Livro Sagrado – Zilmar de Paula Barros
  • Maçonaria Mística – Rizzardo da Camino
  • Ritualistica Maçônica – Rizzardo da Camino
  • Bíblia Sagrada.

Preocupado Por Quê?

Por Rick Warren

(Pastor Senior da Igreja de Saddleback, California)

Dois homens de negócios conversavam sobre incertezas do clima econômico atual. Um deles, João, disse: "Estou prestes a perder meu emprego e nossa casa está hipotecada, mas não me preocupo com isso." Seu amigo Roberto, perguntou: "Como você pode não estar preocupado com isso?" João respondeu: "Eu contratei um 'preocupado profissional'. Ele é quem se preocupa no meu lugar. É por isso que eu não preciso me preocupar!" "Quanto você paga pelo serviço?", indagou Roberto. Resposta de João: "US$ 50 mil por ano." Roberto engasgou: "Tudo isso? E onde você vai arrumar tanto dinheiro para pagá-lo?" João: "Eu não sei. Preocupar-se é tarefa dele!"

Preocupar-se é algo que aprendemos a fazer. Não existe o "preocupado de nascença". Preocupação é uma resposta que damos às circunstâncias da vida. Aprendemos a nos preocupar a partir de duas fontes:

1. Através da experiência. Após anos de enganos, fracassos, esperanças e expectativas frustradas, aprendemos que as coisas nem sempre acabam do jeito que esperamos ou queremos. Através destas experiências adquirimos o hábito da preocupação.

2. Através de exemplos. Existem muitos exemplos à nossa volta. Estudos mostram que as crianças geralmente captam as preocupações dos pais. Pais ansiosos e medrosos criam crianças medrosas e ansiosas.

A boa notícia é que, uma vez que a preocupação é resposta aprendida, ela pode ser desaprendida! O ponto de partida para vencer a preocupação é ter consciência de uma verdade universal básica: ela (a preocupação) é inútil – não extraímos nenhum benefício da preocupação! Preocupação é "deixar-se cozinhar em fogo lento".

Preocupação jamais mudou coisa alguma. Ela não pode mudar o passado, nem controlar o futuro. Somente faz que nos sintamos miseráveis hoje. Preocupação jamais resolveu um problema, nunca pagou uma fatura, nem curou uma enfermidade. Ela somente paralisa-nos, inibindo nossa habilidade de dar os passos necessários, impedindo-nos de remediar a situação. Preocupar-se é como o motor de um carro em ponto morto – não leva a lugar nenhum e só consome combustível. Provérbios 12.25 afirma: "O coração ansioso deprime o homem".

Além de tudo, preocupação exagera o problema, jogando com a imaginação. Você já notou que quando nos preocupamos com um problema ele parece se tornar maior e mais difícil de resolver? A cada vez que você o repete em sua mente, tende a acrescentar- lhe detalhes e aumentar sua intensidade, ampliando a situação, de forma a que nos sentimos cada vez pior.

Qual a solução? Em lugar de preocupar-se, fale com Deus sobre o que está inquietando você. Ele é Alguém – talvez o Único – que pode fazer algo a respeito.

"Não se preocupe com coisa alguma. Antes, ore a respeito de todas as coisas; diga a Deus qual é a sua necessidade e não se esqueça de dar-Lhe graças por Suas respostas. Se assim o fizer, irá experimentar a paz de Deus, que é muito mais maravilhosa do que tudo o que a mente humana pode compreender" (Filipenses 4.6-7).

A Bula de Clemente XII - Excomunhão de Inocentes

Sabemos que todos os acontecimentos que marcaram indelevelmente o curso da História ocorreram em momentos culturalmente determinados, aos qual a Humanidade chegara através de processos sociológicos por vezes longos e cruciais. Qualquer fato social que não ocorra num momento histórico propício está fadado a não produzir os resultados culturais, políticos ou econômicos esperados.

Mesmo estudando um fato histórico, isolado, não se pode menosprezar o ambiente social, nem ignorar o momento em que ocorreu e nem os acontecimentos que o precederam, pois tudo se entrelaça e reciprocamente interage, deixando sua influência sobre o que virá acontecer no futuro.

Então, para compreender um profundo significado histórico e a importância do mesmo, parece-nos indispensável situar tal fato no momento da história e no ambiente sócio-cultural daquele tempo.

Estudando os movimentos sociais da história inglesa nos dois séculos anteriores ao dia 24 de junho de 1717, data em que a Maçonaria Especulativa nasceu para a história, veremos claramente que o vertiginoso crescimento da Maçonaria ao correr do século XVIII, primeiro na Inglaterra, a seguir na Europa, e depois nas Américas, aconteceu porque a Grande Loja de Londres foi fundada num momento que apresentava todas as condições históricas favoráveis, tanto que a partir dele nada mais a deteve, nem condenações, nem perseguições, nem ameaças de excomunhão.

Essas condições especiais eram liberdades de pensamento, liberdade religiosa e liberdade política. E isso acontecia na Inglaterra no início do século XVIII. E esse movimento começou a ser preparado com Henrique VIII.

Este Monarca repudiara sua legítima esposa, Catarina de Aragão, rainha da Inglaterra, de 1509 a 1533, filha de Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Teve, de Henrique VIII, seis filhos, dos quais apenas um sobreviveu, a princesa Maria. A ausência de herdeiro varão fez Henrique VIII pensar em um divórcio, idéia confirmada por sua paixão por Ana Bolena com quem tencionava contrair novas núpcias legais. Para não incidir publicamente em bigamia e conseqüentemente em excomunhão, tentou obter de Roma a anulação do seu casamento, não conseguindo. Apoiado pela maior parte da opinião inglesa, obteve, em maio de 1533, a pronúncia do divórcio por uma corte presidida pelo Arcebispo Thomas Cromwell Cranmer, que num ousado ato público de desobediência eclesiástica formal, em 1533, declarou nulo o casamento do Rei com Catarina de Aragão e, em seguida, legitimou o novo casamento do Rei com Ana Bolena em cerimônia religiosa oficial.

No ano seguinte, o Parlamento Inglês votou o “Ato de Supremacia” que oficializou o Rei como Chefe Supremo da Igreja católica na Inglaterra, negando ao Papa o exercício de sua autoridade religiosa em solo inglês. Fundava-se assim a Igreja Católica Apostólica Anglicana. A ruptura da Inglaterra com Roma, foi, então, total.

Henrique VIII foi sucedido pela rainha Maria I Tudor, sua filha com Catarina de Aragão. Católica intolerante, denominada “Maria, a Sanguinária” em virtude da repressão aos protestantes seus oponentes religiosos. Reinou entre 1553 e 1558. Restabeleceu o domínio do Catolicismo Romano. No seu reinado, numa primeira contramarcha da história, o Arcebispo Cranmer, que apoiara incondicionalmente Henrique VIII na legalização do seu divórcio, foi levado às fogueiras da Inquisição.

Sucedeu-a no trono, Elizabeth I (Greenwich 1533 – Richmond 1603), que governou até 1603. Esta também era filha do mesmo Rei, mas com Ana Bolena. Durante esse longo reinado de mais de quarenta anos, se firmou a Igreja Anglicana nos moldes em que a havia fundado seu pai Henrique VIII e submeteu a Igreja ao Estado. Assim, enfrentou uma dupla oposição, a dos calvinistas puritanos e a dos católicos, partidários de Maria Stuart, rainha da Escócia, que sempre contestaram sua legitimidade, visto que o casamento dos pais de Elizabeth fora anulado.

Seguiram-se a Elizabeth I, os reinados impopulares de Jaime I (1603-1625) e Carlos I (1625-1649), fundadores da dinastia dos Stuart que reinaria na Inglaterra até 1714, já quase na antevéspera da grande data de 24 de junho de 1717.

Em 1714, quando assumiu o rei Jorge I, a situação já se tornaria mais clara, e muitas associações já se recompunham para tornar novamente normal a vida civil dos cidadãos. Foi justamente nessa época que quatro Lojas de Maçons se reuniram para compor a Grande Loja de Londres, a primeira Potência Maçônica.

Em resumo, o nascimento da Era da Razão foi um processo histórico deflagrado na Inglaterra diretamente pela insubmissão religiosa do rei Henrique VIII, um processo que libertou esse país do feroz domínio da Santa Inquisição. E nesse país assim liberto pode prosperar o livre pensamento, protegido em sua ilha-fortaleza contra as repressões militares dos países católicos do continente, da França, principalmente.

Foi exatamente essa idéia geral de liberdade de culto e de pensamento que permitiu à Grande Loja de Londres adotar, sem oposições formais, a neutralidade religiosa e política total em seu “Livro das Constituições”.

Haviam-se criado as condições indispensáveis, um momento histórico propício, para que surgisse do quase anonimato, a Maçonaria especulativa, afirmando-se como sociedade religiosamente tolerante, politicamente neutra, e livre para dedicar-se ao desenvolvimento cultural de seus membros em recintos protegidos contra a curiosidade e a interveniência de autoridades civis ou religiosas.

Em toda a Europa continental do início do século XVIII as sociedades secretas, como a Maçonaria, por exemplo, ainda eram proibidas sob a alegação de que nelas, sem estarem sob o controle da polícia do estado, se poderia conspirar impunemente contra os poderes constituídos.

Esse foi também o principal motivo alegado pelo Papa Clemente XII quando, no ano de 1738, a Igreja Católica pela primeira vez na História se pronunciou oficialmente contra nossa Instituição.

A seguir, transcrevemos na íntegra o texto da bula que aparece no bulário com o enunciado de “IN EMINENTI APOSTULATUS ESPECULA” para que os leitores julguem.

A PRIMEIRA BULA DE EXCOMUNHÃO “IN EMINENTI APOSTULATUS ESPECULA”

“Clemente, o bispo, servidor dos servidores de Deus, a todos os fieis da cristandade, saúde e benção apostólica”.

“Como a Divina Providência nos tem colocado, não obstante, ser indigno desta honra, na Cadeira apostólica com o fim de velar por aqueles que nos tem sido confiados e levar até eles pelos deveres de um bom pastor, empregaremos, com a ajuda do todo-poderoso, todo no zelo em evitar a introdução de erros e vícios, e manter, antes de tudo, a pureza da religião, separando nestes tempos tão difíceis, os perigos das agitações”.

“Temos sabido, e a voz pública confirma, que certas sociedades, assembléias, reuniões ou associações, se espalham por qualquer lugar sob o nome de Liberi Muratori ou francomaçons, ou qualquer outro nome, segundo o idioma do país, e adquirem a cada dia maior extensão que está composta por indivíduos de todas as religiões e seitas, os quais seduzidos por uma afetada aparência de honradez natural, os dão mesmos leis e estatutos, se associam e formam entre si laços tão estreitos como indissolúveis, e que sobre suas práticas, secretas, em parte por meio de juramento prestado sobre a santa Bíblia, e em parte por meio de ameaças, de severos castigos, se obrigam a guardar um inviolável segredo. Sem embargo, como está na própria natureza do crime de descobrir-se a si mesmo chamando a atenção até ele fazendo-se conhecer a estas sociedades ou conventículos tem despertado na consciência de todos os bons crentes tal sentimento de suspeita, que para os homens prudentes e ortodoxos, seu nome representa a marcha da heresia e a perda de suas crenças. Porque si seus princípios fossem puros, não buscariam com tanto cuidado a obscuridade e o mistério”.

Estas associações têm sido apreciadas do mesmo modo por outros, que por nós mesmos, posto que as autoridades de diferentes paises as tem condenado, há tempos, como perigosas para a segurança do Estado, e se tem desfeito prudentemente delas. Em conseqüência, depois de haver considerado e pesado os males que ditas sociedades ou assembléias podem produzir, pondo em perigo, não somente a paz do Estado, mas também a salvação das almas, de maneira que não podem existir em virtude de nenhum direito civil ou eclesiástico, como nos estamos chamados pelo Senhor, para velar dia e noite como fiel servidor e guardião vigilante de seu rebanho, a fim de que esta classe de gente não venha, como se fossem ladrões, a minar os alicerces de sua casa, ou parecidos com as raposas destruir sua vinha querida, e de outra forma, enfim, que não corrompam o coração das pessoas simples e que não transpassem com seus dardos envenenados, os inocentes com o objeto de impedir que esta iniqüidade se cometa impunemente, e por outros motivos por nós conhecidos, depois de haver ter consultado vários de nossos veneráveis irmãos, os cardeais da Igreja Romana, e depois de ter maduramente refletido e adquirido uma certeza sobre o exposto; de nosso mútuo próprio, e em virtude de nosso poder apostólico, decidimos condenar e proibir as ditas sociedades ou assembléias, reuniões ou associações ou convertículos constituídos com o nome de francomaçonaria ou qualquer outra denominação, como os condenamos e proibimos, efetivamente, por nossa presente bula a que queremos fique perfeitamente válida e eficaz.

“Pela qual, proibimos a todos e a cada um dos fieis da cristandade, seja qualquer seu estado, posição, origem, dignidades de que esteja revestido, ordem a que pertence, tanto nos seglares como nos eclesiásticos, ao clero regular como ao clero secular, até os mais elevados entre estes, lhes proibimos seriamente, e em virtude da santa obediência de permitir-se, sob nenhum pretexto ou cor que queiram dar à sua inflação, de formar parte dessas sociedades de francomaçons, seja qualquer que seja o nome que levem, nem de estabelecê-las ou protegê-las, favorecê-las, recebê-las em suas casas ou habitações que lhes pertençam, de ocultá-las, de fazer-se inscrever nelas, de afiliar-se ou assistir as suas reuniões nem de procurá-las, na ocasião de reunir seja onde queira, e de facilitar estas reuniões, de oferecer-lhes uma mão amiga ou de ajudá-las, seja por conselhos ou ocupar-se delas de qualquer outra maneira, publicamente ou secretamente, direta ou indiretamente, por si mesmos ou pelos outros; está igualmente proibido de ligar aos demais, de inscrever-se nestas sociedades ou de mandá-los reconta-se entre seus membros e a assistir à suas reuniões, a fim de favorecê-los de qualquer maneira que seja; mas se lhes ordena permanecer completamente estranhos a estas sociedades, assembléias, reuniões ou conventículos sob pena de excomunhão contra todos aqueles que se façam culpáveis das inflações acima mencionadas, e pelo fato mesmo sem que seja necessário tomar mais amplas informações sobre a causa da excomunhão, da qual ninguém poderá ser relevado nem receber a graça da absolvição, nem ainda em caso de morte, senão por nós ou pelo papa que ocupe então a Cadeira de Roma.

Queremos ainda e ordenamos que os bispos, os demais prelados da Igreja e todos os pastores encarregados de guardar as almas, e mesmo que os inquisidores instituídos para combater a infecção da heresia, façam uso de seus poderes e persigam os contraventores de qualquer classe, estado, posição e categoria, como culpados de heresia, que lhes imponham o castigo que mereçam, e ponham freio à suas empresas, para o qual lhes damos todos os poderes necessários para obrar contra estes contraventores, aplicando-lhes as penas as quais sejam credores e se necessário for reclamar para chegar a eles o concurso da autoridade civil.

“Queremos também que todas as cópias da presente bula, ainda estão impressas, com tal que sejam firmadas de mão de um notário público e que vão acompanhadas do selo de um dignatário eclesiástico, tenham a mesma autoridade que a original. Que ninguém se permita atacar nossa presente declaração, condenação, ordem, proibição e informação ou no adaptar sua conduta a ela. Sem embargo, se alguém tiver esta temeridade, saiba que atrairá a cólera de Deus e dos Santos apóstolos Pedro e Paulo”.

“Dado em Roma, em Santa Maria a Maior, no ano da encarnação do Senhor 1738, e 28 de abril de nosso pontificado, e oitavo, etc”.

Conclusão

A bula que acabamos de transcrever tem um desfecho próprio dos que se dispõem, ou melhor dito, se vendem como fiéis representantes de uma religião de paz e caridade, de uma religião de amor, e como déspotas e absolutistas, carecem da falta absoluta de sentimentos humanos. Analisando a citada bula, em primeiro lugar, faz uma afirmação que desde logo se pode qualificar de gratuita; a Maçonaria por nenhuma de suas manifestações podia ser acusada como vício da religião, nem como erro: vício não podia implicar em nenhum, porquanto não havia intentado sequer a mais ligeira reforma da questão religiosa, e isto, nem na católica, nem na protestante, nem mesmo na judaica; se havia limitado a admitir todas, pois nenhum indivíduo (candidato) se filiava ou se filia sem que creia em Deus como o Criador do Universo e que possua ilibada moral; e deste ponto de vista devia ser considerada como elemento a seu favor, dado que a Instituição Maçônica, sempre teve como seus princípios o amor e a caridade, pregados pelo sublime mártir de Gólgota. A Igreja nada podia dizer contra sua pureza de propósitos que não eram outros senão a procura da verdade, da paz e da concórdia entre todos os homens, e o amor aos semelhantes, somado a obrigação de atendê-los e socorrê-los nos mais duros transes de vida; estas e nada mais que estas, eram as obrigações que a Ordem impunha aos seus adeptos, e o mais fanático católico que a conheça ou a ela pertença, jamais poderá dirigir-lhe nenhuma censura, pois, pelo que sabemos, eram os princípios liberais e as idéias filhas da razão, que de alguma maneira motivaram sua reprovação por Roma.

O único crédito que na bula pode ter fundamento, é o que em seu parágrafo segundo, se refere ao secreto, de conhecimento apenas de seus iniciados, e ao mistério de que a Ordem se rodeava e assim mesmo não ocultava, apenas não fazia ostentação pública.

A associação maçônica não tinha porque ocultar-se, nem porque fazer mistério, pois não estava vedada de modo algum a difusão dos princípios que eram só contra as vantagens materiais que vinha desfrutando o Clero, à causa da ignorância dos povos, razão mais que suficiente para que este (Clero) tratasse de coibir a difusão da luz que havia de expor a consciência do caos em que vivia.

Mesmo que perseguida em alguns paises, monarcas de outros a favoreciam, provando assim que nada tinham que temer dela as instituições políticas.

Por tudo dito, fácil é compreender que a citada bula com todo seu rigorismo, e todas suas prevenções, não disse nada contra a Ordem em si, senão pelo contrário, é uma prova do muito que seus inimigos a temiam, e tanto assim, que na França, entre o estabelecimento da Ordem Maçônica e a promulgação da bula, ganhou a Maçonaria no conceito geral; a bula de Clemente XII, nem foi considerada. Antes ao contrário, parece que foi o sinal que a elevou a Ordem ainda mais e para que dela formassem homens de todas as condições, porque entre eles, justo é dizer, figuravam em grande número os que eram credores à consideração de todos por seu saber e ilustração.

Ir.’. Valdemar Sansão

Membro efetivo da Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras (AMACLE)

Bibliografia:

a) do Trabalho de autoria do Ir.’. AMBRÓSIO PETERS “(24 DE JUNHO DE 1717 – “O MOMENTO HISTÓRICO” publicado na Revista O PRUMO nº. 116)”;

b) Grande Enciclopédia Larousse Cultural;

c) Historia General de La Masonería (desde los tempos remotos hasta nuesta época 1882).

O Padroeiro da Maçonaria

Charles Evaldo Boller, Mestr:. Maç:..

A Maçonaria em relação a sua linguagem simbólica não é autêntica, já que a maior parte dela é adaptação de diversas linhas de pensamento e influência. Sua imensa riqueza cultural está alicerçada na ampla flexibilidade e tolerância a pensamentos e crenças diversas, admitindo as mais variadas linhas filosóficas que venham ao encontro da construção de homens morais, éticos e espiritualizados. Cada Maç:. é induzido em buscar se auto-conhecer, se auto-construir fundamentado em seus próprios referenciais, respeitar a crença de seus IIrm:. e buscar o crescimento espiritual sem intermediação de ninguém.

Mas existe algo que de início choca o Maç:. que não é católico; é a presença de São João nos rituais. Fica-lhe a impressão de o haverem enganado com respeito à propalada neutralidade religiosa da Maçonaria. Sente-se até vítima de proselitismo religioso. Com o tempo ele percebe que o Velho Testamento, ou Escrituras Hebraicas, serve de base para grande parte das instruções e lendas maçônicas e que isto não torna a Maçonaria uma religião de confissão judaica. Observa também que, pelo fato de ocorrerem referências a passagens do Novo Testamento, isto também não a torna instituição de confissão exclusivamente cristã. Descobre que, independente da Bíblia judaico-cristã ser usada como Livr:. da L:. nos TTempl:., existe prática de Maçonaria em países de confissão predominantemente islamita, budista, confucionista, taoista, e tantas outras, e que nestas usam-se os LLivr:. da L:. de suas próprias religiões majoritárias. Mesmo usando de livros de religiões diversas, mesmo desenvolvendo a espiritualidade dos MMaç:., a Maçonaria se propõe em não ser uma religião. Então, como explicar São João nos rituais maçônicos, tido até como patrono das LLoj:. que praticam os três primeiros graus do R:. E:. A:. A:.?

O véu que encobre a intenção da mensagem simbólica da Maçonaria só é revelado para aquele que tem os olhos bem abertos, e com denodo, perspicácia e isenção a estuda. A cada passo um mesmo símbolo ou personagem se transforma em idéia totalmente diferente da primeira intuição. Concorrente com uma mudança fundamental de visão de universo, a mensagem da Ord:. maçônica é dinâmica no tempo e implica numa nova visão de realidade a cada passo da transformação cultural. Os símbolos são os mesmos ao longo do tempo, sua interpretação é diferente. As mudanças são obtidas pela prática de transmitir informações de uma pessoa para a outra, algo só possível pela convivência pacífica, disciplinada, ordeira e tolerante que a Maçonaria proporciona em suas LLoj:.. É da convivência constante, pela camaradagem e com o passar dos dias que o Maç:. forma um juízo aceitável de toda a sua simbologia. Mesmo a respeito da presença de um incerto São João nos rituais. Devido a constante e renovada realidade, como entender a presença de São João na figura de padroeiro da Maçonaria simbólica? Existem diversos santos com o mesmo nome na história da Igreja Católica. É impossível determinar exatamente a qual destes homens santificados o ritual se refere. São inúmeras as tentativas dos especialistas MMaç:. em obter a verdade. Uns especulam que pode ser influência de organizações de cavalaria que cederam seus santos. Outros especulam que os maçons operativos, os pedreiros que construíram as catedrais da idade média, podem ter contribuído com os seus santos. Especula-se também que da astrologia pode ter ocorrida a escolha de santos cujo dia de comemoração no calendário de santos católicos quase coincide com os dois solstícios, haja vista existir um São João perto do solstício de verão e outro no de inverno.

Porque a Maçonaria especulativa, a dos MMaç:. aceitos nas confrarias de pedreiros, iria escolher um santo como padroeiro? Sabe-se que na época da criação da Ord:. ocorria uma gradual separação entre a opressiva religião católica e os homens de ciência e filosofia, que gradativamente iam formando maioria nas LLoj:. da época. Qual a razão dos criadores das leis básicas que regem a Maçonaria simbólica, alguns até clérigos, introduzirem um santo católico como padroeiro? E porque aqueles vetustos MMaç:., de orientação cristã, não definiram exatamente a qual São João eles se referiam? Perfecionistas que tentavam ser, certamente não nos deixariam na dúvida. Eles escolheriam o mais notável, o maior de todos os santos. Porque apenas São João?

Considerando a incerteza em determinar a qual santo a honra se refere, e como na época da criação da Maçonaria a Igreja Católica Apostólica Romana tinha grande poder no mundo político, este santo indeterminado pode ter sido sabiamente introduzido, até com intenção dúbia, para não afrontar tal poder ou ferir suscetibilidades dos poderes políticos, que de sua parte deviam completa submissão ao Papa. O certo é que o padroeiro da Maçonaria é aceito por tradição, e não é possível determinar com certeza a qual dos mais de trinta santos católicos com mesmo nome se refere. Definir São João na Maçonaria é pura especulação.

Especulando também, será que o São João citado no ritual pode ter outro significado? Seria porventura apenas um atributo ou qualidade de Deus? Porque tomando por base a tradução do nome João, "Jehohannam", que significa "o favor de Jeová" e unindo-a ao verbete "santo", faz o texto do ritual verter o seguinte: "À G:. D:. G:. A:. D:. U:., sob Seu Santo Favor...", ao invés de "em honra a São João". Desta forma invoca-se o G:. A:. D:. U:. e complementa-se com um pedido de remissão de culpa concedida por indulgência ou uma graça. Isto tornaria correto invocar a proteção de São João para todo Maç:., em qualquer país ou fé religiosa. Satisfaz ao Obr:. que professa outra confissão religiosa e satisfaz ao católico que adora o santo, que a ele se dirige em oração por intermediação. Os MMaç:. de confissão religiosa diferente da católica não se sentiriam enganados quando entrassem na Maçonaria. Isto confirmaria a figura do Apr:. Maç:. a se esculpir da P:. B:., e que indica que o homem Maç:. dispensa qualquer intermediação de exegetas, padres, pastores, bispos e outros clérigos para, com auxílio das ferramentas da Maçonaria, esculpir sua característica moral, ética e espiritual, pois se dirige diretamente a sua própria interpretação de Senhor dos Mundos, conceito que denominamos G:. A:. D:. U:.. Também propiciaria ao Maç:. invocar unicamente o mais eminente de todos os santos, o G:. A:. D:. U:. e Seu Santo Favor!

Bibliografia

1.ALENCAR, Renato de, Enciclopédia Histórica do Mundo Maçônico, Editora Maçônica, 1980.

2.ANATALINO, João, Conhecendo a Arte Real, Editora Madras, 2007.

3.ASLAN, Nicola, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Editora Maçônica a Trolha, 2003.

4.BECK, Ralph t., a Maçonaria e Outras Sociedades Secretas, Editora Planeta, 2004.

5.Bíblia de Jerusalém, a, Edições Paulinas, 1973.

6.CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, Editora Madras, 2001.

7.CAPRA, Fritjof, as Conexões Ocultas, Editora Cultrix, 2002.

8.CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, Editora Maçônica A Trolha, 2003.

9.CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain, Dicionário de Símbolos, Editora José Olimpio, 20ª Edição, 2006.

10.FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Editora Pensamento,1990.

11.PAIVA, Alfredo, História da Maçonaria.

A Diferença Entre a Força e a Coragem...

É preciso ter força para ser firme,

mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender

mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra,

mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo,

mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma,

mas é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,

mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males,

mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso,

mas é preciso coragem para faze-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho,

mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar,

mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver,

mas é preciso coragem para viver.

Se você sente que lhe faltam a força e a coragem,

queira Deus que o mundo possa abraçá-lo hoje

com Calor e Amor !

E que o vento possa levar-lhe uma voz que lhe diz

que há um Amigo, vivendo num outro lado do Mundo,

desejando que você esteja bem.

A Viagem

Charles Evaldo Boller, M:. Perf:. 14/09/2006

Desejo que me acompanheis em singular viagem. Para isto é necessário que aceiteis alguns postulados e a pouca consistência do que vos mostrarei considerando que em essência tudo não passa de simples fantasia. Tenha certeza que a pretensão é levar-vos por caminhos que poderão revelar entendimento de verdades complexas e difíceis de explicar de outra forma.

Estamos parados no centro da Loj aberta ritualisticamente. Esotericamente falando, o teto não existe, então, vamos tirar de vez esta cobertura do lugar de onde está e empurrá-la para bem longe, tão longe que desapareça. Descortina-se sobre nós espaço infindo e ao longe brilha o sol. Vamos também empurrar as paredes de nosso Tem para bem longe. Estamos no centro do espaço infindo que só não é totalmente negro porque a luz do luzeiro nos ilumina. Vamos eliminar também o piso de nosso Tem, afastando-o mais devagar para que nossa mente se acostume lentamente com o flutuar no espaço sem sentir vertigens; e como não temos mais referenciais, não se sabe ao certo se é o piso da Loj que está se afastando, ou se somos nós que estamos levitando, viajando espaço afora. Consideremos agora que possuímos poderes que nos permitem parar o tempo ; apenas nós nos movemos neste ambiente especial criado pela nossa imaginação. O importante é imaginar que estamos sem ponto de referência a não ser o sol. Estamos longe de tudo, não existe ruído e não há necessidade de ar, porque somos criaturas poderosas nesta nova forma. Olhai ao redor e observai a imensidão. Comparai-a com vossa pequena estatura em relação a este horizonte infindo. Com vossa nova capacidade de imaginação deixai vosso corpo material e flutuai para fora de vossa prisão. Juntos olhemos as PPed BBrut:. pelo seu lado externo de uma forma como nunca nos foi possível observar . Observemos como é nosso túmulo material . Como já aprendemos no passado , o que este corpo tem por fora é mero invólucro de nossa manifestação material no universo tridimensional, o importante desta massa é seu conteúdo interno, algo que aos olhos materiais é impossível identificar. Foi devido a esta limitação que saímos de nossos túmulos materiais e estamos aqui fora olhando para eles. Aqui somos infinitos . Nesta dimensão artificial não regem tempo ou matéria, não existe início ou fim, somos infinitos, somos deuses . Todas as coisas materiais que possuímos em nossa efêmera vida material são nada, se comparados com a imensidão que ora contemplamos ao lado de fora de nossas prisões, os cárceres que são apenas passagens de nossas experiências sensoriais.

Locke defendeu que as idéias são formadas a partir de experiências sensoriais exteriores e que a reflexão interior colocava em seu devido lugar. Nós estamos fora do corpo apenas por força de nosso pensamento e levamos junto conosco apenas nossa capacidade de ver e pensar. Locke combateu o Inatismo, filosofia que parte do pressuposto do homem possuir idéia inata do G:. A:. D:. U:.; que esta idéia já nasce com a pessoa . Na Maç:. nos é ensinado que nascemos livres porque nascemos racionais e os seres humanos são por isto considerados iguais, independente de governos e pelo uso da razão. Nós estamos usando esta experimentação sensorial não apenas através de nossos dispositivos de percepção da realidade, criamos uma nova percepção, pela fantasia, e por um exercício do pensamento estamos passeando fora de nossos corpos físicos pelo espaço infindo. Os TTrab:. do quinto grau do R:. E:. A:. A:. querem demonstrar ser o homem infinito e que suas posses são finitas. Locke concebe o infinito como resultante da unidade homogênea de espaço, número e duração, e o que diferencia uma da outra é que o infinito apenas não tem limite. O homem material é finito enquanto presa da materialidade e torna-se infinito quando desperta para a liberdade da razão apoiada pelo conhecimento esotérico. É isto que esta experiência deseja conduzir.

Percebeis o quão devagar estão nossos passos neste passeio? Não há necessidade de correr. Nossas experiências não ocorrem aos saltos, mas em pequenos avanços de uma dimensão para a outra. Assim se faz na Maç:.. O salto pode ser dado pela mente e não pelo corpo material. É disto que devemos nos libertar para penetrar nos segredos de nós mesmos. Apenas em condições especiais obtemos a verdadeira luz para investigar a verdade oculta em nós mesmos. Se olharmos todo o trajeto que nos trouxe até aqui é realmente um salto imenso para a nossa pequenez de criatura vivente do espaço tridimensional. Aqui só existe a noção de espaço porque trouxemos junto conosco as carcaças que nos contêm, em qualquer forma que adotarmos, seja ela material ou assim como nos imaginamos agora, não passamos todos de simples viajantes espaciais, é o que todos somos; astronautas deslocando-se permanentemente pelo espaço sideral numa velocidade estonteante a um destino desconhecido.

Vamos diminuir de tamanho, aliás, nós não temos dimensão, podemos ser imensamente grandes ou infinitamente pequenos, basta querer. Nossa mente vai fazer com que diminuamos de tamanho lentamente, apenas para não enjoar, porque ainda faz pouco tempo que abandonamos nossa clausura física e adentramos nesta nova condição de existência. Vamos encolher até que possamos entrar pelo ouvido do meu corpo material ai em frente e que conheço bem, haja vista que já fiz alguns passeios dentro dele ultimamente. Vamos diminuir de tamanho até que possamos divisar as moléculas desta carcaça. Percebeis como o corpo físico está desaparecendo? O corpo está se dissolvendo lentamente. Porque será?

Boyle foi o primeiro que não aceitou mais as teorias de Aristóteles dos quatro elementos: água, terra, ar e fogo e formulou as bases e conceitos dos elementos químicos. A diversidade de moléculas com que um corpo físico é composto é enorme, então escolhamos a primeira molécula que encontrarmos e vamos continuar a diminuir de tamanho para podermos abordar um dos átomos. Sabia que não foi Boyle quem criou a idéia de átomo? Isto já foi cogitado na antiga Grécia, por Demócrito ; é dele a idéia que os materiais são formados por partículas minúsculas. Hoje dispomos deste conhecimento porque estamos apoiados nos ombros de gigantes do passado. Pode-se dizer que o átomo é formado por duas regiões que ocupam o espaço: o núcleo, que é seu centro compacto e pesado, e uma coroa ou eletrosfera. No núcleo estão os nêutrons e prótons e na eletrosfera movem-se os elétrons em diversas órbitas . Rutherford sugeriu que o tamanho do átomo seria algo em torno 0,000.000.01cm. Para imaginarmos melhor o significado desta dimensão consideremos o homem do tamanho de um átomo; toda a população da Terra caberia na cabeça de um alfinete e ainda sobraria muito espaço. E nós estamos do tamanho de um átomo agora. Só que não vemos nada. Porque será? Se moléculas das mais diversas compõem um corpo físico, elas deveriam estar em todo lugar, trilhões delas deveriam estar presentes aqui, e deveriam obliterar a luz do sol. Onde estarão? A eletrosfera de um átomo é cerca de 10.000 a 100.000 vezes maior que o núcleo. Então, porque não estamos vendo nada? Vamos diminuir mais umas 100.000 vezes o nosso tamanho. E ainda não vemos nada. O corpo pelo qual estamos viajando simplesmente sumiu. O que existe ao nosso redor é apenas espaço vazio. Só a luz do sol chega até nós. Continuemos a procurar por um núcleo de átomo. Ali está um núcleo formado de prótons, nêutrons e outras partículas insignificantes, e assim como nós, desloca-se solitário nesta imensidão do espaço. É do tamanho de uma laranja, e cabe em nossa mão. Onde estará o elétron? Sabemos que a massa do elétron tem em torno de 1840 vezes menos massa que o núcleo. Muito pequenos para serem vistos, mesmo com estes olhos que temos agora. Temos que diminuir ainda mais de tamanho para divisar corpúsculo tão diminuto, será por isto que não vemos o elétron? Não! Ele não é visto porque nós paramos o tempo, lembra? Somos deuses aqui em nosso mundo de fantasia. Ele está parado em algum lugar que pode estar em termos proporcionais a nossa atual estatura a alguns quilômetros daqui, ou até bem perto como alguns centímetros. Não o vemos apenas devidos suas dimensões relativas diminutas.

Vamos diminuir mais nossa estatura, até ficarmos tão pequenos que possamos sentar confortavelmente sobre o núcleo. Ainda não vemos o elétron, e teríamos que encolher ainda cerca de quase umas 2.000 vezes a nossa atual estatura, e ainda assim seria muito difícil encontrá-lo. Vamos restaurar o fluxo do tempo. Que não vos assuste a escuridão! Conseguis imaginar o que aconteceu? Porque esta escuridão súbita? Pois são os elétrons! Eles estão impedindo a luz de chegar até nós. Isto porque a velocidade com que o elétron gira em torno do núcleo é tão alta que mesmo com sua minúscula massa oblitera a passagem da luz. Sua velocidade é tal que pode ser comparada à própria velocidade da luz. A velocidade dos elétrons é de tal magnitude que num determinado instante cada um deles pode estar ocupando qualquer espaço ao redor do núcleo. Ele tem apenas uma probabilidade de estar fisicamente num determinado lugar, num determinado instante. Compare isto com as hélices de um avião, as pás parecem estar em todo o entorno de seu eixo ao mesmo tempo, parecem estar em todo lugar ao mesmo tempo; é parecido, mas em escala de velocidades imensamente superior. É assim que se forma a matéria sólida de que são formados nossos corpos, o mausoléu de nossos pensamentos. Esta é a assinatura do G:. A:. D:. U:. dentro de nós mesmos. Isto até que contradiz Locke, mas não esqueçamos que nossa existência aqui é apenas resultado de uma ficção, de um exercício de nossa mente criativa. Aqui poderíamos inferir ser este de fato o nosso Sanc:. Sant:., referenciado no grau quatro do R:. E:. A:. A:.. Entretanto, é certamente nosso lugar mais sagrado. Percebes a imensidão que é um corpo físico de qualquer ser vivente? O homem em sua inteireza, considerando a carcaça, a mente, as emoções, sua espiritualidade e outros detalhes é um universo tremendamente complexo. A este universo que existe dentro de cada ser vivente, devido exatamente a esta diversidade e complexidade, denominamos Macrocosmo apenas para simplificar nossas limitações de entendimento. É assim, de forma espantosa, com quase nada de matéria, com quase absoluto espaço vazio que o G:. A:. D:. U:. produziu toda a matéria sólida do universo. Milagre ou realidade? Será que legitima a expressão do "Penso, logo existo" de Descartes ? Porque se tomarmos a realidade do ponto de vista em que nos encontramos agora, certamente deduziríamos que nada somos. Tudo o que existe é feito essencialmente de espaço vazio, somos feitos do nada, então nada deveríamos ser. Existimos apenas como que por milagre. Um maravilhoso feito do Incriado. Heidegger argumentava que "o ser se faz no tempo"; e é o que constatamos em nossa experiência; o ser é o nada que o constitui. Platão afirmava que "o universo em que vive o homem é ilusório, feito de sombras e aparências"; em nossa experiência, quanto desta assertiva é verdadeiro?

Percebeis a maravilha desta descoberta dentro de nós mesmos? Vês o quanto somos infinitos na forma em que nos encontramos e o resto do universo é finito? Em termos absolutos poderíamos até dizer que nem finitos somos, mas quase inexistentes. Percebeis agora o quanto somos livres e iguais neste universo criado pelo G:. A:. D:. U:.? Percebeis também o quanto é importante buscar o conhecimento para nos entendermos melhor uns com os outros, haja vista que de nada somos feitos. Fazer estes tipos de viagens é o único caminho que dispomos para trilhar pelos caminhos que conduzem para a liberdade e perfeição; simplesmente porque nos conscientizamos que existe um criador, não é possível que tudo seja resultado de obras do acaso sem a presença de uma mente pensante por traz de tudo o que se manifesta na natureza. Esta nossa realidade, esta nossa insignificância perante o milagre da existência material já é suficiente para nos levar a entender do porque o amor fraterno é o único caminho para a verdadeira igualdade. Na essência somos todos relacionados e iguais. Agora estenda isto às outras dimensões que temos: espiritualidade, emotividade, pensamentos, e outros. Este conhecimento de nós mesmos não fica limitado ao que estamos percebendo neste instante, este crescimento exige a perfeição tanto do espírito como do coração. Há necessidade de treinar nossas percepções tanto do visível como do invisível, e tudo é apenas dedutível por nossa capacidade de abstração, de fantasia. Não temos provas materiais disto ser realmente assim, ao menos enquanto estivermos restritos ao nosso cárcere material, ao nosso corpo físico. Devemos procurar a justiça e a fraternidade, o amor fraterno, para obter a possibilidade de, mesmo imperfeitos em alguns aspectos, sejamos levados à perfeição do intelecto e da espiritualidade pela força do pensamento. E assim como efetuamos nossa caminhada até ficarmos sentados aqui nesta escuridão sem ter medo de nada, quando o tempo está em marcha, onde chegamos devagar, um passo de cada vez; o caminho da Perfeição também não se dá aos saltos, senão com muita prudência e lentidão. Velocidade é coisa de elétron em sua órbita, nós devemos lentamente ir formando uma base educacional em busca da verdadeira liberdade que nos liberta do fanatismo, do ódio e outros vícios. Pois se viéssemos até aqui na superfície deste núcleo de átomo num salto, certamente desfaleceríamos; porque não iríamos entender que na escuridão de nosso mais recôndito ser, na falta da liberdade a que o elétron nos levou, nos sentiríamos presos, imobilizados, com medo de nos mexer, inclusive de pensar. E o medo desta prisão certamente nos induziria a adotar alguma postura fanática e alienante, quem sabe até, num ato desesperado, o suicídio. Vês como nossa capacidade de sonhar é infinita e como isto nos diferencia do homem-fera primitivo?

A filosofia do grau cinco do R:. E:. A:. A:. está conectada ao conhecimento humano, desde sua pequenez diante do universo, até o gigantismo de sua capacidade de sonhar e pensar. É pela capacidade racional inteligente que todo Mest:. Perf:. deriva conhecimentos detalhados e genéricos para a sua própria sobrevivência física e intelectual. Uma coisa puxa a outra. O sonhar leva a predispor o iniciado na busca contínua de instruções e conhecimentos esotéricos. Isto o leva a efetuar saltos mentais e lhe impõem denodo quando se interna na caminhada dos mundos desconhecidos, reservados apenas aos que têm coragem de enfrentar as veredas do desconhecido. Mesmo que lá reine escuridão, a mente continuará a irradiar a luz do entendimento de verdades cada vez mais complexas e intrincadas. O viajante leva consigo a luz do entendimento ao buscar intensamente dentro de si mesmo o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates , o homem pensador passa a aperfeiçoar-se. Depois que se aperfeiçoou e descansou nova jornada é iniciada, em ciclos eternos de sonhos, racionalizações e sedimentações de novos conceitos.

Percebeis agora que ao adentrarmos no mausoléu de Hir:. Ab:., que é o próprio Mest:. Perf:., despertam idéias ocultas que até então não percebíamos? Resolvem-se os porquês da existência: De onde venho? Para onde vou? Algo que só é possível descobrir com princípios esotéricos e com viagens ao interior de nós mesmos. Isto faz da passagem para o Or:. Eter:. apenas mais uma etapa da vida; algo que alivia o constrangimento e medo da morte. E ao nos libertarmos do medo da morte, rompem-se os grilhões da escravidão do mundo material. Todo Maç:. é considerado de fato um Tem:. vivo do G:. A:. D:. U:.. E só a partir desta constatação passareis a considerar-vos criatura pura e sagrada. Tudo fareis para não conspurcar este ambiente sagrado. Derivando ainda que isto vos induz a desenvolver conceitos morais e éticos cujo objetivo preservará a pureza deste lugar sagrado onde estamos. Isto fará daqui um lugar perenemente limpo e puro.

Desperta adicionalmente que apenas limpar o Tem:. interior, o Sanc:. Sant:. não é suficiente. A pureza moral e ética é insuficiente. Exige-se que o interior do Tem:., local da razão e dos sentimentos equilibrados, nutram vosso cérebro com estímulos que vos levem a buscar a perfeição. Daí ressaltar-se a importância em velar na maioria das vezes do centro das emoções, o coração, de modo a mantê-lo subjugado à mente, pois é considerado esotericamente o mesmo mausoléu de Hir:. Ab:.. A lenda aponta o coração como túmulo de Hir:. Ab:., que contém um Hir:. Ab:. enquanto não morrer o Mest:. Perf:. que o contém, pois este nunca ressuscitou e sempre estará lá. O objetivo do Mest:. Perf:. é dominar suas paixões com o objetivo de acabar com atitudes extremadas e fanáticas. E este é o caminho para a liberdade e perfeição. Este é o caminho do espírito levado por nossa capacidade de sonhar. Isto tem grandes chances de converter a fera humana apenas controlada pelas leis, em seres humildes diante da grandiosidade do que daqui divisamos.

Quando o tempo se desloca, em nosso interior reina escuridão enquanto não efetuarmos um salto para dentro de nós mesmos iluminados pela sabedoria do entendimento esotérico desta viagem. Este deslocamento é realizado em pequenas estações, para que o choque da descoberta desta escuridão não nos deixe cegos e com medo. O medo pode nos imobilizar e escravizar aos extremismos. É necessária coragem para desbravar este caminho.

Agora que te mostrei a minha senda, façais vossas viagens a sós para dentro de vós mesmo e descobri vossos próprios caminhos. E que não vos assuste a escuridão que encontrareis, pois tenho certeza que sempre levareis junto vossa capacidade intelectual para de lá sair em segurança. Ao homem Maç:. é dado caminhar só na busca de sua espiritualidade e liberdade, exatamente porque ninguém a pode fazer por outrem. É tarefa individual e intransferível.

1ª Inspetoria Litúrgica do Paraná – Vale de Curitiba.

Excelsa Loja de Perfeição "General Clodomiro Nogueira"

E saiamos daqui, pois já são C:. horas e os TTrab:. encerraram.

Bibliografia:

1.ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, Filosofando, Introdução à Filosofia, Editora Moderna, 1993.

2.ASLAN, Nicola, Instruções Para Loj:. de Perf:. para o Gr:. 4 ao 14, Quarta Edição, Editora Maçônica A Trolha Ltda., 2003.

3.BOSQUILHA, Gláucia Eliane, Minimanual compacto de Química, Editora Rideel, 1999.

4.CAMINO, Rizzzardo da, os Graus Inefáveis, Loja de Perfeição, Volume 1, Primeira Edição da Editora Maçônica A Trolha Ltda., 1995.

5.Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0, 2001.

6.GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, a Filosofia do Conhecimento, Primeira Edição, Madras Editora Ltda., 2003.

7.LOCKE, John, Ensaio Acerca do Entendimento Humano, Editora Nova Cultural Ltda., 2005

8.OLIVEIRA FILHO, Denizar Silveira de, Comentários aos GGr:. Inefáveis do R:. E:. A:. A:., primeira Edição, Coleção Biblioteca do Maç:., Editora Maçônica A Trolha Ltda., primeira Edição, 1997.

9.REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario, História da Filosofia, Volume 1, Editora Paulus, 9ª edição, 2005.

10.Xérox do ritual do grau 5 do R:. E:. A:. A:.;

A Janela e o Espelho

A Janela e o Espelho

Um jovem muito rico foi ter com um Rabi e pediu-lhe um conselho para orientar sua vida.

O Rabi conduziu o jovem até a janela e perguntou:

- O que você vê através dos vidros?

- Vejo homens que vão e vêm e um cego pedindo esmolas na rua.

Então o Rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente perguntou:

- Olhe neste espelho e diga-me agora o que você vê?

- Vejo a mim mesmo.

- E já não vê os outros!

Repare que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria-prima, o vidro. No espelho, porque há uma fina camada de prata colada ao vidro, você não vê nele mais do que a si mesmo.

Você deve comparar-se a essas duas espécies de vidro.

A pessoa de fé e de boa índole vê os outros e tem compaixão por eles.

Coberto de prata, o egoísta, hipócrita e pobre de espírito, vê apenas a si mesmo.

Você só vale alguma coisa, quando tiver coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os seus olhos, para poder, assim, de novo ver e amar aos outros.

Somos todos anjos de uma asa só.

Só podemos voar quando abraçados uns aos outros.

Carta aos "Eternos Aprendizes"(*).

Meus queridos IIr:.

Segue abaixo um trabalho que apresentei em 10 de agosto de 1996, que merece ser meditado, sempre, por todos nós.

À G:.D:.G:.A:.D:.U:.

À A:.R:.L:.S:.Adolpho Markenzon - N.º 203

Carta aos "Eternos Aprendizes"(*).

(*) ou mais corretamente, "Eternos Buscadores da Verdade"

Após meses no aguardo de uma posição sobre o nosso ingresso na Maçonaria, remoendo-nos de aflição, diversos pensamentos passaram pela nossa cabeça: "Será que existe algum empecilho ao meu ingresso?", "Por que demora tanto para me darem uma resposta?", "Acho-me preparado para esse desafio?"

Enfim, inúmeras dúvidas nos assolaram. No momento em que soubemos da nossa aceitação pela Maçonaria, em primeiro lugar houve um sentimento de orgulho e satisfação. Em seguida, quase ao mesmo tempo, o medo tomou conta de nós. Mas, como o ser humano gosta de viver perigosamente, sempre em busca de um desafio, apesar de ser avesso a mudanças, tomamos a decisão de enfrentar os perigos que se nos ofereciam com a máxima galhardia e coragem que possuíamos. E veio o dia da Iniciação. Momento solene e tão esperado. Tão misterioso que nem nos deixaram ver as coisas rolarem, mas enfrentado e aceito. Para ganhar esse troféu, prometemos tudo o que nos propuseram. Após a cerimônia, fomos para casa curtir a novidade com nossos entes queridos, entregar o ramalhete de flores e o par de luvas à nossa amada, dar uma rápida, e talvez derradeira, lida no Ritual de Aprendiz e na Constituição Maçônica que nos entregaram, e daí para frente... tornamo-nos Maçons.

Falaram que devemos freqüentar todas as Sessões de Aprendiz, receber as Instruções, elaborar os Trabalhos sobre as mesmas e, pronto!

Meus Irmãos, passou-se o tempo em que os adultos e os mais experiente nos diziam o que fazer. Agora, nós é que devemos saber o que nos é mais conveniente. Se estamos ou não aqui para crescer.

E quando eu digo crescer, só me refiro ao próprio engrandecimento espiritual. Para o engrandecimento material devemos nos bastar nós mesmos. Mas, como crescemos espiritualmente?... Estudando, pesquisando, discutindo, analisando as mesmas coisas sob todos os ângulos possíveis, pois, se cada um de nos analisarmos o Planeta Terra, supondo que a Terra tivesse o tamanho de uma laranja, cada um só veria um lado da mesma, o lado que estivesse em nossa frente. Quanto mais lemos e pesquisamos sobre um tema, o que verdadeiramente aprendemos é que, sempre, existe algo que ainda não nos ficou claro, ou não foi visto. E, o buscar dessa resposta, ou seja da palavra perdida, é que é crescer espiritualmente. Vemos que nada é absoluto. Nem nós mesmos. O próprio conceito de Deus nunca é visto e sentido da mesma forma por duas pessoas, ainda que ambas sejam da mesma religião.

Meus Irmãos, como vós, sou um ser humano. Sujeito a enganos e erros, como todos nós. Mas, mesmo assim, meditai sobre as minhas palavras e, se puderem, escrevam algo a respeito, para que minhas idéias possam ser complementadas pelas vossas.

Rogando ao G:.A:.D:.U:. que a todos ilumine e guarde, despeço-me, Fraternalmente,

Or:. de São Paulo, 10 de agosto de 1996.

Antonio Hoberdanchi Sálvia Jr. - M:.M:.

PHI = Divina Proporção

O numero PI e o PHI

Todos nós já ouvimos falar em número PI. É o irracional mais famoso da história, com o qual se representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro (equivale a 3.141592653589793238462643383279502884197169399375... e é conhecido "vulgarmente" como 3,1416 ).

Não confundir com o número Phi que corresponde a 1,618.

O número Phi (letra grega que se pronuncia "fi") apesar de não ser tão conhecido, tem um significado muito mais interessante. Durante anos o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal. Os gregos criaram então o retângulo de ouro. Era um retângulo, do qual havia-se proporções... do lado maior dividido pelo lado menor e a partir dessa proporção tudo era construído. Assim eles fizeram o Pathernon... a proporção do retângulo que forma a face central e lateral. A profundidade dividida pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618. Os egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo, a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da 3a fileira e assim por diante. Bom, durante milênios, a arquitetura clássica grega prevaleceu.

O retângulo de ouro era padrão, mas depois de muito tempo veio a construção gótica com formas arredondadas que não utilizavam o retângulo de ouro grego. Mas em 1200... Leonardo Fibonacci um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos criou aquela que é provavelmente a mais famosa seqüência matemática, a Série de Fibonacci. A partir de 2 coelhos, Fibonacci foi contando como eles aumentavam a partir da reprodução de várias gerações e chegou a uma seqüência onde um número é igual a soma dos dois números anteriores: 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89...

1

1+1=2

2+1=3

3+2=5

5+3=8

8+5=13

13+8=21

21+13=34

E assim por diante... Aí entra a 1ª "coincidência"; proporção de crescimento média da série é... 1,618. Os números variam, um pouco acima às vezes, um pouco abaixo, mas a média é 1,618, exatamente a proporção das pirâmides do Egito e do retângulo de ouro dos gregos. Então, essa descoberta de Fibonacci abriu uma nova idéia de tal proporção que os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e começaram a descobrir coisas fantásticas.

A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colméia é de 1,618; A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618; A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618; A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore a medida que subimos de altura é de 1,618. E não só na Terra se encontra tal proporção. Nas galáxias as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1,618 também por isso, o número Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO.

Porque os historiadores descrevem que foi a beleza perfeita que Deus teria escolhido para fazer o mundo? Bom, por volta de 1500, com a vinda do Renascentismo, a cultura clássica voltou à moda ... Michelangelo e, principalmente, Leonardo da Vinci, grandes amantes da cultura pagã, colocaram esta proporção natural em suas obras.

Mas Da Vinci foi ainda mais longe; ele, como cientista, pegava cadáveres para medir a proporção do seu corpo e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto a DIVINA PROPORÇÃO do que o corpo humano... obra prima de Deus. Por exemplo: Meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão; o resultado é 1,618. Meça seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até o dedo; o resultado é 1,618. Meça seus dedos, ele inteiro dividido pela dobra central até a ponta ou da dobra central até a ponta dividido pela segunda dobra. O resultado é 1,618; Meça sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão. O resultado é 1,618; A altura do seu crânio dividido pelo tamanho da sua mandíbula até o alto da cabeça. O resultado 1,618; Da sua cintura até a cabeça e depois só o tórax. O resultado é 1,618; (Considere erros de medida da régua ou fita métrica que não são objetos acurados de medição). Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção.

Seria Deus, usando seu conceito maior de beleza em sua maior criação feita ... à sua imagem e semelhança?

Coelhos, abelhas, caramujos, constelações, girassóis, árvores, arte e o homem; coisas teoricamente diferentes, todas ligadas numa proporção em comum. Então até hoje essa é considerada a mais perfeita das proporções. Ela também pode ser encontrada em outras relações, em objetos e situações do cotidiano, frutos de nossa vivência e observação. (Lembre-se: considere erros de medida da régua ou fita métrica que não são objetos acurados de medição).

Encontramos ainda o número Phi nas famosas sinfonias, como a 9ª de Beethoven e em outras diversas obras. Então, isso tudo seria uma coincidência? ...ou seria o conceito de Unidade com todas as coisas sendo cada vez mais esclarecido para nós?

Albert Pike

Albert Pike, um dos mais destacados Soberanos Grandes Comendadores do Supremo Conselho dos 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito da Jurisdição Meridional dos Estados Unidos da América, líder do Supremo Conselho por trinta e dois anos ininterruptos, surge na História da Franco-Maçonaria como um dos mais importantes expoentes intelectuais.

Foi um dos mais eruditos e importantes sistematizadores da história e dos Graus Simbólicos e Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito, transcrevendo em suas principais obras toda a liturgia e os procedimentos ritualísticos dos Graus Escoceses.

Albert Pike nasceu em Boston e foi criado em Little Rock, no Arkansas. Lá, participa em 1848 da Guerra do México e entre 1861 e 1862 da Guerra Civil Norte Americana, onde galga o posto de General de Brigada, liderando um batalhão, formado por indígenas. Após a Guerra Civil, em 1868, instala-se na capital federal, Washington D.C., onde passa o resto dos seus dias, exercendo a advocacia, sendo um dos grandes defensores da campanha abolicionista norte americana, bem como da causa indígena.

Foi iniciado em 1850, na Loja Western Star, em Little Rock. Em 1853, Albert G. Mackey lhe confere os Graus Filosóficos do 4º ao 32º do Rito Escocês Antigo e Aceito, em Charleston, sede da jurisdição meridional; em 1857, Pike recebe o grau 33º e em 1859 é eleito Soberano Grande Comendador, ocupando este cargo até o fim dos seus dias, com competência e autoridade sem paralelos, realizando uma ampla reforma no Rito Escocês Antigo e Aceito.

Mesmo antes de ser eleito Soberano Grande Comendador, Pike assumiu uma das lideranças intelectuais do Rito Escocês Antigo e Aceito, ao lado de outro eminente Ir., Albert G. Mackey, sendo que este último dedicou uma de suas maiores obras, o Léxico da Franco-Maçonaria, de 1869, ao Ir. Albert Pike, em seu prefácio.

Ao unir-se ao Supremo Conselho da Jurisdição Meridional, Albert Pike encontrou uma situação caótica: os Rituais encontravam-se tão desorganizados que muitas Lojas adotaram procedimentos ritualísticos próprios; a estrutura administrativa do Supremo Conselho não possuía qualquer controle sobre seus membros e os serviços de benemerência inexistiam.

Pike, nesta tarefa hercúlea a que se propôs, fortaleceu os ensinamentos do Rito Escocês Antigo e Aceito, expurgando todo o sectarismo e adversidade política do conteúdo dos Rituais, estabelecendo uma rota de desenvolvimento intelectual, o que colocou o Supremo Conselho da Jurisdição Meridional na posição de mais influente e atuante de todo o mundo. Ele engrandeceu o conteúdo das Instruções aos diversos Graus com um amplo conhecimento das culturas antigas – conhecia fluentemente sânscrito, hebraico, grego e latim – fundamentando e comprovando o que antes era apenas perceptível em nossos Rituais.

Referência

Os Graus Maçônico no R.'.E.'.A.'.A.'.

Queridos IIr.´.

Este trabalho não é de minha lavra. Não tenho nem conhecimentos nem luz para produzi-lo.

Trata-se de uma pesquisa na Internet em que misturei diversos trechos para tentar alcançar meus objetivos:

Elucidar quais são os GGr.´. Maçônicos do R.´.E.´.A.´.A.´. e o que se entende por GGr.´. Filosóficos.

Se conseguir atingir estas metas, economizarei bastante tempo de pesquisa para os IIr.´..

OS GRAUS MAÇÔNICOS NO R.'.E.'.A.'.A.'.

O maçom, após ter estudado os mistérios dos graus simbólicos, tem a possibilidade de estudar os mistérios filosóficos dos altos graus, comumente chamados de graus filosóficos; mas nem todos são verdadeiramente filosóficos, como veremos mais adiante.

Mas qual é a razão de ser dos graus maçônicos?

Considerando que a maçonaria é uma ciência, ela abrange todas as ciências que constituem a base comum das religiões, das artes e da filosofia de todos os povos do mundo, desde os tempos mais primitivos.

Portanto, um dos principais objetivos da Maçonaria é o estudo, através da pesquisa da Verdade, no intuito de dar continuidade à instituição, sendo que as atividades sociais, filantrópicas, administrativas, e litúrgicas são instrumentos utilizados pela Maçonaria para motivar e vitalizar as Lojas.

A maçonaria adota um método iniciático em suas doutrinas, baseado em símbolos, que gradualmente vão dando um desenvolvimento pessoal ao maçom, na medida em que ele se dispõe ao estudo. Logo, o método de ensino iniciático necessita ser conhecido através de vários degraus, representados na Escada de Jacó.

Considerando que um dos principais objetivos da Maçonaria é o estudo utilizando-se de um ensino iniciático que progride a cada grau, podemos afirmar que o objetivo do estudo dividido em graus é fazer com que o maçom adquira, "passo a passo", os ensinamentos da doutrina maçônica.

Na verdade, não se ensina maçonaria ao maçom, cada qual precisa buscar a informação, interiorizando-a através da meditação, para aos poucos adquirir o seu próprio conhecimento. São os graus maçônicos que oportunizam ao maçom transformar-se numa pedra cúbica, a ser utilizada na construção do templo ideal da humanidade, o templo da virtude.

Quais são os Tipos de Loja e os Graus maçônicos concedidos em cada um no R.’.E.'.A.'.A.'.?

Lembramos que os graus simbólicos, de Aprendiz e de Companheiro, são de origem operativa e estão diretamente ligados aos ensinamentos da moral e ao desbaste da Pedra Bruta, utilizando-se das ferramentas associadas à construção do templo da virtude. Os demais graus estudam a essência esotérica, contendo doutrinas que serão aprofundadas sempre mais à medida que avançam as instruções nos graus superiores.

Os graus simbólicos são chamados de graus universais por serem comuns a todos os Ritos. Porém, nos seus altos graus, cada Rito tem a sua própria nomenclatura. Os altos graus do R.'.E.'.A.'.A.'. são orientados e administrados pelo Supremo Conselho, sendo agrupados em séries, onde cada qual tem o seu um objetivo, que deverão ser atingidos através da iniciação.

 

Mestre Secreto

Grau de meditação; os verdadeiros segredos da Maçonaria devem ser objeto de pesquisas;

Mestre Perfeito

Grau de meditação; estudar a filosofia da natureza e a solução da quadratura do círculo filosófico;

Secretário Íntimo

O Grau é baseado na idéia de aprendizagem do comando, e sua moral resume-se no respeito que devemos Ter aos segredos alheios;

Preboste e Juiz (ou Mestre Irlandês)

É consagrado à equidade severa com a qual devemos julgar nossas ações;

Intendente dos Edifícios (ou Mestre em Israel)

A liberdade é o único traço de união entre o trabalho e a propriedade;

Mestre Eleito dos Nove

Grau de Iluminação. Consagra-se ao zelo virtuoso e ao talento esclarecido que, por bons exemplos e generosos esforços, vingam a verdade e a virtude do erro e do vício;

10º

Ilustre Eleito dos Quinze

Consagrado à extinção de todas as paixões e de todas as tendências censuráveis;

11º

Sublime Cavaleiro Eleito

Consagrado à regeneração dos costumes, às ciências e às artes;

12º

Grão Mestre Arquiteto

Representa-se o povo e consagra-se à coragem perseverante

13º

Real Arco

Destinado a interpretação dos primeiros instituidores da Ordem;

14º

Grande Eleito, ou Perfeito e Sublime Maçom

Consagrado ao Grande Arquiteto do Universo;

GRAUS FILOSÓFICOS

A expressão Graus Filosóficos já se tornou corrente na Maçonaria. Usa-se a mesma em contraposição a Graus Simbólicos.

Conquanto já faça parte de nossos usos & costumes, inclusive sendo útil para diferenciar os graus anteriores dos posteriores criados na história dos Ritos, essas expressões objetivam conceitos extremamente inadequados que nos servem de paradigmas inconscientes.

Quando nos referimos à Maçonaria, independentemente dos graus dos quais estejamos falando, invariavelmente nos vem à mente a idéia de uma "filosofia". Não há como ser diferente, pois uma instituição que pretende a construção de um determinado modelo de homem, almejando com isso uma profunda transformação social, terá obrigatoriamente uma "filosofia", que é permanentemente atualizada em suas lendas, ritos, mitos, símbolos e doutrinas. Estando de acordo com esse raciocínio, a razão de colocarmos "filosofia" entre aspas é para diferenciá-la de Filosofia, com "f" maiúsculo. Desejamos defender aqui a tese de que, ao falarmos de Maçonaria, existe uma diferença entre "filosofia" e Filosofia, e que isso é fundamental para nossa práxis.

Devemos diferenciar práxis de prática. Prática se refere, ainda segundo o dicionário, ao ato ou efeito de praticar; à experiência nascida da repetição dos atos. Necessitamos prática para dirigirmos automóveis ou para realizar uma cirurgia. Já práxis é a totalidade de nosso agir enquanto seres humanos. Cada ação humana implica aspectos objetivos (como fazer, falar, produzir) e aspectos subjetivos (como valores, ideologias, condicionamentos de toda ordem e as atitudes deles decorrentes). Prática se refere ao que eu sei fazer; práxis se refere ao que eu sou.

Estudar e conhecer Filosofia podem ser sinônimos de erudição ou indicação de um status profissional. Erudito, segundo os dicionários, é quem tem instrução vasta e variada, que é sabedor de muitas coisas. Um professor de Filosofia, um filósofo profissional ou alguém com "amor à sabedoria" (que é o que significa o termo) podem ser eruditos em Filosofia; conhecer autores e obras, sistemas filosóficos e história da Filosofia. Isso não faz de nenhum deles um filósofo, no sentido existencial. Assim como conhecer profundamente Teologia não faz de alguém um religioso.

Começa a aparecer a pedra de toque para fazer a distinção que pretendemos. Paulo Freire, o notável pedagogo brasileiro, já nos ensinava que a atividade essencialmente humana é a reflexão, e a práxis humana deve ser composta de ação « reflexão; assim mesmo: uma ação de mão dupla onde as partes são inseparáveis com o perdão da redundância. Quando em nossa existência nosso agir está dissociado da reflexão, nos alienamos. Quando alienados, por mais ativos que sejamos, não somos os senhores de nossa história; não estamos na direção de nossas vidas. Somos levados pelas circunstâncias. Para desalienar-se é preciso "filosofar", perquirir, duvidar. Os fatos nos são dados pela existência, e podem ser organizados pela Economia, pela Sociologia, pela Antropologia, mas é "filosofando" que os interpretamos, que os julgamos e que os transcendemos.

Nesse sentido de um compromisso consciente com a existência é que devemos ser seres ativos e reflexivos, isto é, adotar uma postura naturalmente filosófica. Essa postura implica numa atitude inquiridora e cética, sem ser relativista ou cínica. Devemos ser filósofos no sentido do ideal marxiano de ser pescador pela manhã, poeta à tarde e filósofo à noite, sem que sejamos pescadores profissionais, poetas profissionais ou filósofos profissionais. A Filosofia nos será ferramenta de aprimoramento do olhar e do raciocínio, e para isso é importante conhecer os filósofos e seus pensamentos. "Filosofar", porém, será nossa atitude constante.

Eis porque, meus Irmãos, conceber graus filosóficos e não-filosóficos na Maçonaria é defender uma posição maçonicamente contraditória, pois não pode haver Maçonaria que não seja essencialmente filosófica. E, consequentemente, não pode haver maçom que não seja filósofo . Se fomos iniciados, então nos basta "saber" sinais, toques e palavras; "conhecer" algumas instruções e princípios. Se somos iniciados, então sinais, toques e palavras servirão para reconhecermos pessoas com as quais teremos uma identidade de interesses, de convicções, de posturas sociais e espirituais; viveremos nossos princípios, pois eles serão conscientemente compreendidos e livremente aceitos.

A Iniciação é uma conversão, uma metanóia. Os Irmãos que nos acolhem numa Loja, dirigentes ou não, podem apenas nos fazer o convite, nos mostrar o caminho e nos fornecer as ferramentas. O sim terá que ser nosso. A transformação de nossa atitude perante nós mesmos e perante o mundo é tarefa exclusivamente nossa. E responderemos solitariamente às nossas consciências pela nossa decisão.

Se não realizarmos essa conversão, continuaremos freqüentando Lojas simbólicas , onde apenas repetiremos enfadonhos gestos e palavras, e Lojas filosóficas , onde apenas recordaremos o cobridor e leremos os rituais.

E voltaremos à nossa vida real sem marcas, sem sinais, sem toques e sem palavras.

FONTE: "Instruções para Lojas de Perfeição"; Nicola Aslan; Ed. "A TROLHA"; Ano de Publicação: 1994; 1ª Edição.

Pedro Juchem,

M.'.M.'. - Loja Venâncio Aires II, nº 2369, GOB RS , Or.'. Venâncio Aires, RS, Brasil.

Francisco C. L. Pucci

M.'. M.'. - ARLS Profeta Elias,Grande Loja do Paraná, Brasil

Sócrates era a mosca de Atenas, mas no Brasil ...

O curso de filosofia no Brasil tem um erro - e é grave, é fatal
Como podemos entrar em uma aula de ética, lermos um texto clássico de ética e, no entanto, em nenhum momento, nos questionarmos sobre nossas próprias posições, no "aqui e agora", quanto ao conteúdo ético delas? Como podemos entrar em uma aula de teoria do conhecimento, lermos um texto clássico do assunto e, no entanto, em nenhum momento, nos questionarmos se a "teoria da verdade" que usamos no cotidiano é satisfatória ou não?
Esses dois exemplos já bastam para percebermos o quanto o curso universitário de filosofia no Brasil não visa criar filósofos, e nem professores de filosofia. Visa criar indivíduos que temem a filosofia. Temer a filosofia é jamais colocar em xeque aquilo em que se acredita ou, talvez mais grave ainda: é nem mesmo explicitar aquilo que no que se acredita. Crenças e desejos nossos são escondidos, e tememos a filosofia que quer que eles se explicitem e sejam julgados, do mesmo modo que o paciente de uma terapia psicanalista se revolta quanto é agarrado pela teoria, que revela seus complexos e fraquezas.
Em termos da teoria social, poderíamos, com alguma flexibilidade, chamar esse comportamento de um nome simples: alienado. É alienado, nesse sentido, o aluno ou o professor que pode ler durante horas, por exemplo, um tratado sobre a felicidade e, em nenhum momento, fazer a pergunta: e eu, sou feliz? É alienado o aluno que consegue fazer um prova, responder as questões e, no entanto, não se comprometer como nenhuma delas pois, afinal, aquilo tudo era "para tirar nota". É alienado o professor que dá todo dia a mesma aula e nunca quer discutir, pois parte do pressuposto que o que aprendeu é verdade e que ninguém teve outra idéia depois do que ele aprendeu. É alienado aquele que quer a "lição", sem saber fazer uso, para sua vida, de tal lição.
O que ocorreu com a filosofia que criou a alienação, ou seja, justamente a sua antítese?
Podemos recuar até Platão e imaginar que Sócrates, ao fazer filosofia nas ruas, diretamente, tinha por objetivo não deixar que a filosofia fosse discutida como uma meta-atividade. E por isso mesmo ele nada escreveu. Era como se ele tivesse o pressentimento de que o futuro da filosofia ficaria comprometido, pois em vez de filosofar as pessoas poderiam começar a "tomar a lição" uma das outras a respeito do que ele escreveu. E, de fato, uma vez desenvolvida como ensino, em templos e mosteiros e não mais nos jardins de Epicuro, isso ocorreu. E Platão, mesmo tendo escrito em forma de diálogos, talvez tenha impulsionado o movimento que veio depois, já com Aristóteles e, enfim, com a filosofia medieval - e que ainda conquista muitos hoje em dia, principalmente no Brasil. Que movimento? O de fazer da filosofia um academicismo a mais.
Mas culpar Platão, assim, é errado. O que vivemos é algo que Platão jamais pensou que iria ocorrer. Platão viu de perto gente muito estúpida. Ele próprio se decepcionou com governantes que disseram a ele que iriam filosofar, mas que traíram a filosofia. Todavia, Platão nunca chegou a ver de perto, mesmo, o tipo de pessoa que surgiu em nossa época, principalmente no Brasil, e que muitas vezes não se acomoda em seu lugar, que seria um curso qualquer que nada tivesse a ver com a reflexão.
Não estou dizendo, aqui, que contrariamos Kant, que dizia que o correto era ensinar a filosofar e não ensinar filosofia. Estamos aquém desse erro denunciado por Kant. O que se faz nos cursos de bacharelado ou licenciatura em filosofia é bem pior. O que se faz é o não uso da filosofia. Lemos Sartre e ele nos coloca diante da dúvida do rapaz que não sabe se vai para a guerra ou se fica para cuidar da mãe. Mas mesmo diante de um problema assim, bastante concreto, não ousamos nem um pouco em tomar o problema para nós e, vivendo o problema, filosofarmos. Estamos impedidos de agir assim. Não é hipocrisia, embora também seja. É uma espécie de embotamento do espírito. Nada que vem dos livros nos parece real, nada nos interessa. Aprendemos a sermos assim lá na escola básica, e continuamos assim no curso superior, mesmo que ele seja de ... filosofia!
Não é o caso aqui de dizer que existe o aluno ruim e o bom aluno, ou o professor que é filósofo e o professor que nem professor é. Não é essa a questão. A questão é mais profunda. O que denuncio é que os cursos de filosofia criaram o aluno que "copia matéria" do quadro e que lê mecanicamente o que o professor mandou. Ele não entende o que copia e o que lê pois ele foi impedido, desde criança, de se abrir para as "experiências do pensamento e do coração". Não pode pensar do mesmo modo que não consegue mais fazer sexo. Não pode amar do mesmo modo que não consegue mais ter prazer em resolver um problema de lógica. Não pode pensar e não pode sentir. Não é capaz de cravar experiências no mundo. Não é capaz de arrancar sangue das próprias veias ao ler textos como o "Julgamento de Sócrates" ou o aforismo 22 de Além de Bem e Mal. Não consegue usufruir de vivências. Nem mesmos as suas próprias. Não as tem! Está aquém da filosofia porque está aquém da vida. O curso de filosofia, em vez de despertar tal pessoa, a premia dizendo que é assim que ela deve ser. Ela deve ser um ... um tipo animalóide. Ela não pode ler livros pois ela, como Paulo Freire dizia, não aprendeu a "ler o mundo".
Assim, anos e anos passam e vários cursos de filosofia no Brasil soltam para a vida alguns infelizes que foram diplomados filósofos, mas que não podem filosofar. Não podem filosofar pois não podem dizer se gostam ou não de banana, se aprovam ou não a democracia, se acham certo ou não que a experiência conduza a ciência mais que a matemática a pode conduzir, etc. Nada disso podem dizer. Pois não são problemas afeitos a eles. Eles não conseguem ver em que medida a filosofia que supostamente aprenderam pode ser usada no cotidiano de suas vidas. Às vezes são estúpidos e não saem do lugar. Mas às vezes, gente assim, até arranca um mestrado e um doutorado, e se transforma em "pesquisador de filosofia" - mas continua sem poder filosofar. Pois o embotamento da alma é uma doença que se torna crônica. E ela leva à morte muito cedo.
O senso comum prevalece, então, no interior da sala de aula de filosofia. Os preconceitos proliferam, e nada é possível de ser levado para o campo filosófico. Quando alguém tem uma pergunta e quer discutir, mesmo no curso de filosofia, caso o professor descuide é possível que algum colega (ou mesmo o professor!) venha a dizer: "ah, deixa para lá, isso é filosofia". Sim, essa frase, que é comum na boca de transeuntes do senso comum, já aparece agora até mesmo nos cursos de filosofia. É o ódio à filosofia por parte dos que se matricularam em um curso de filosofia. Sim - o ódio daquilo que se escolheu fazer!
Pensar, imaginar, "pensar alto", "fazer devaneios", criar inferências - tudo isso é proibido. E mais proibido ainda se tudo isso vier para articular o que os filósofos falaram com o que cada um ali no curso acredita. A filosofia é posta nos cursos de filosofia do mesmo modo que a técnica da mecânica é posta para quem vai tirar carta de motorista: sabe-se que o carro tem motor, breque, que precisa de gasolina e manutenção. Mas só! O carro é o carro, o motorista é o motorista. Eles estão juntos, porém isolados. Isso é o curso de filosofia: o livro é colocado na mão do aluno, mas o aluno continua lá, isolado do livro. Ele prefere o quadro. Ele quer copiar. Ele não sabe mais o que é uma aula de filosofia, ele só sabe que em sala de aula ele tem de preencher um caderno. A relação entre o aluno e o livro não ocorre. E o professor não consegue fazê-la ocorrer na medida em que ele, não raro, já é fruto daquele mesmo tipo de curso de filosofia. O curso em que ninguém pode pensar, que ninguém pode sentir. Que curso é este? É um curso para rinocerontes, advogados de porta de cadeia, padres frustrados, donas de casa cujo marido não volta pois tem amante, crianças com pelos nas mãos e, enfim, anões - anões mentais.
Ensina-se filosofia no Brasil, hoje, como se ensina Direito no Brasil: decorar a lei é tudo. Basta decorar e, depois, diante de um crime, aplicar. Discutir se a lei é moral ou não? Nunca! Discutir se a investigação do crime usou de critérios válidos ou não? Nunca! O ensino do Direito, que criou levas de advogados analfabetos, que infestam a nação como uma praga que só pode ser extirpada com a pulverização de cultura do mesmo modo que se pulveriza uma lavoura cheia de gafanhotos, é o modelo para todo o nosso ensino e, agora, até mesmo para o ensino de filosofia.
No passado, esse ódio à filosofia era próprio de cursos muito práticos. Nós filósofos reclamávamos de ter de lidar com pedagogos, pois eles não queriam refletir, queriam ir direto para a prática educacional. Nós filósofos reclamávamos que o aluno de engenharia não queria mais deduzir fórmulas e nem mesmo discutir a situação energética do país, pois queriam ou tomar conta do escritório do papai ou prestar um concurso e ganhar dinheiro rápido. Nós filósofos reclamávamos dos alunos de ... ora, nós reclamávamos de tudo. Nós estávamos no paraíso e não sabíamos. Vivíamos querendo encontrar alunos de filosofia, jovens, achando que eles iriam conversar de filosofia conosco. Um dia, então, nós filósofos chegamos a encontrar os tais alunos de filosofia e ... pimba! Eis que eles eram piores que aqueles pedagogos e engenheiros que criticávamos. Hoje, é mais fácil achar quem gosta de filosofar em outros cursos do que nos cursos de filosofia. Nos cursos de filosofia é proibido filosofar.
Não vamos longe com isso. Nosso país não vai sair do Terceiro Mundo. O país está ficando mais embrutecido e a filosofia não conseguiu ser uma ilha. Hoje, a barbárie invadiu até mesmo os cursos de filosofia. Alguns professores de filosofia, desesperados, querem sair do ensino, querem deixar a sala de aula. Eles não querem ver aquilo que amavam se deteriorar. Talvez por isso eu tenha deixado de ensinar filosofia no Brasil. Era a barbárie que estava batendo na minha porta, e que agora, de fato, invadiu o que era nosso lar, as salas de filosofia.
Há como sair disso? Difícil. Nossa juventude, apesar de sido criada assistindo o "TV Colosso", que tinha o personagem "Capachão", talvez tenha se acostumado com ele, em vez de perceber que ele era para servir de contra-exemplo. Nossa juventude, em grande parte, é lambe-botas. Os conservadores são conservadores. Os que ficaram na esquerda são mais conservadores ainda! Nossa juventude está com o espírito embotado a ponto de aderir à covardia mais deslavada. Não raro, em vez de estudar e vir desafiar o professor, nossa juventude vem nas aulas para bajular o professor e conseguir nota ou bolsa. Isso na universidade pública. Na particular, faz pressão, quer que o professor se submeta à mediocridade. Até mesmo no curso de filosofia isso ocorre, um curso em que a nota seria o menos importante e o diploma menos ainda. Todavia, nossa juventude não sabe fazer outra coisa. Ela é covarde e nem sabe que é covarde. Essa juventude, aliás, nem sabe lidar com a Internet, pois ela gosta de copiar matéria do quadro - como aquele tolo que, antes, achávamos que só existia "nos outros cursos", não na filosofia.
É claro que há indivíduos que não se encaixam nisso. Eles existem, sim. Mas tenho dó deles. Caso não consigam ter algum filósofo autêntico por perto, irão amargar ter nascido em um Brasil que perdeu o rumo. Esses poucos, caso não encontrem apoio nos poucos filósofos autênticos que sobreviveram por aí, poderão sucumbir. É preciso muita força para nadar contra a correnteza.
PS: Nietzsche fez um tipo de denúncia sobre a cultura de seu tempo, e que serve para o ensino de filosofia de hoje, que denuncio acima. Ele chamou o historicismo (não a doutrina, mas o clima intelectual) da época dele de "sobretudo burguês". Lembra um pouco aquele personagem de Kant (do texto "O que é o Iluminismo"), que é funcionário e obedece as leis da instituição em que trabalha, mas que para "um grande público" pode até se portar como filósofo e até criticar, em livro, a instituição em que trabalha - quanto a seus princípios gerais, digamos assim. Todavia, o que vivemos é pior do que a situação desse homem de Kant, que estava em uma "época em esclarecimento", como o filósofo alemão qualificou seu tempo. O que vivemos é a falta da completa possibilidade de ao se tirar o "sobretudo burguês", encontrar roupa íntima, carne, ossos e sangue.
Este texto está em www.ghiraldelli.pro.br
Paulo Ghiraldelli Jr. "O filósofo da cidade de São Paulo" Mestre e doutor em filosofia pela USP Mestre e doutor em filosofia da educação pela PUC-SP Livre-docente e titular pela Unesp. Atualmente trabalhando como editor da Contemporary Pragmatism, em Nova York. É também: articulista da Profissão Mestre e da Filosofia, Ciência e Vida; Coordenador do GT-Pragmatismo e Filosofia Americana da ANPOF; Diretor do Centro de Estudos em Filosofia Americana. Que o Gr.·. Arq.·. do Univ.·. nos conceda, agora e sempre, Sabedoria, Fortaleza e Serenidade!
Fraternalmente,
José Inácio da Silva Filho, M.·. I.·. Gr.·. Loj.·. Maç.·. do Estado da Paraíba Alagoa Grande - PB Mais importante do que ter Irmãos é ser Irmão!

O Supremo Conselho no Brasil

12/03/1829 – o Irmão Francisco Ge Acayaba de Montezuma, depois Visconde de Jequitinhonha, então no exílio, recebe do Supremo Conselho dos Países Baixos, hoje Bélgica, uma carta de autorização para instalar um Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil.

12/11/1832 – de volta ao Brasil o Irmão Montezuma instala o Supremo Conselho usando a autorização do Supremo Conselho da Bélgica.

Durante os anos seguintes, várias foram as cisões e aproximações em torno do Supremo Conselho.

Uma das características dessa fase é um amálgama, entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, de forma que o Grão-Mestre eleito passava a ser o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês, mesmo que tal Grão-Mestre sequer fosse membro do Rito.

1925 – O Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, e portanto Soberano Grande Comendador do Rito Escocês, era o Irmão Mário Behring que, concluindo pela irregularidade de tal situação decidiu separar as duas jurisdições a exemplo do resto do mundo, os Graus Simbólicos com o Grande Oriente do Brasil e os Graus Superiores com o Supremo Conselho. Assim, não mais se candidatou ao cargo de Grão-Mestre permanecendo como Soberano Grande Comendador. Estava feita a tão desejada separação.

O Grão-Mestre eleito, Irmão Octavio Kelly, levado por alguns dissidentes achou por bem não mais reconhecer a separação decidindo assumir também o cargo de Soberano, para o qual não foi eleito, sendo prontamente rechaçado pelos Membros com direito a voto no Supremo Conselho. O que era uma separação amigável transformou-se em cisão.

1927 – Assim, ficou o Supremo Conselho sem ter base simbólica onde buscar os Mestres Maçons para ingresso no Grau 4, e o Grande Oriente do Brasil sem ter para onde mandar os Irmãos das Lojas Escocesas desejosos de continuar os seus estudos. Não tendo alternativa, o Supremo Conselho, que continuava a ser dirigido pelo Irmão Mário Behring, promoveu a criação das Grandes Lojas Brasileiras para delas poder continuara retirar os Mestres para as suas Lojas de Perfeição (Grau 4 ao 14). Membros do Grande Oriente do Brasil, por sua vez, criou, apoiado em alguns ex-membros do Supremo Conselho, um novo Supremo Conselho, que foi chamado de reconstituído.

1929 – Paris, França, é realizada a IV Conferência Mundial, onde comparecem os Supremos Conselhos Montezuma e o Supremo Conselho “reconstituído”. Naquela ocasião ficou definitivamente assentado que o único Supremo regular, reconhecido e única autoridade legal e legítima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil é o que hoje se denomina “SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33 DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA PARA A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, com sede em Jacarepaguá, Rio de Janeiro cujo Soberano Grande Comendador é o Irmão Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, que é também presidente da XVI Conferência Mundial de Supremos Conselhos.

Tal decisão tem por base o Art. 5°, das Grandes Constituições de 1786, que determina que só pode existir um Supremo Conselho em cada País, exceto nos Estados Unidos da América, onde foi previsto a existência de dois. Não se trata, entretanto, de cisão até porque um é filho do outro.

2000 – Rio de Janeiro, Brasil – Realizada a XVI Conferência Mundial dos Supremos Conselhos com a presença de quase todos os Supremos Regulares do Mundo. O Ir \ Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República do Brasil passa a ser o Presidente da XVI Conferência Mundial.