Home
Bem Vindos Maurin e Moretti
No planeta de Steven PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jotabê Medeiros - Estadão - 25/09/2011   
Ter, 27 de Setembro de 2011 13:00

Cantor fala de tudo: das drogas ao dia em que quase entrou no Led Zeppelin

"Pronto, falei." A última frase do livro de memórias de Steven Tyler, O Barulho na Minha Cabeça te Incomoda? (Does the noise in my head bother you?), é talvez a mais famosa hashtag do Twitter, e ilustra o espírito boquirroto e sem regras da narrativa do cantor do Aerosmith (e jurado do American Idol, não podemos esquecer).

Foto: Reprodução
"A Animosidade é parte necessária da química de uma banda. São egos juntos", Steven Tyler

A autobiografia tem esse caráter meio psicanalítico, de descarrego, mas também há método e intenção nela. Steven Victor Tallarico nasceu no Hospital Policlínico do Bronx em 26 de março de 1948. Viveu em Manhattan, em Yonkers e em Boston, onde fundou uma banda que estava inteiramente fundada na sua bem-sucedida imitação do sotaque cockney de Mick Jagger e da libido pública dos Rolling Stones.

"Meu lema sempre foi: imite até conseguir. Se quer ser uma estrela de rock, como ensina Keith Richards, você precisa treinar seus movimentos primeiro no espelho", diz o cantor que, quando adolescente, andava pelas lojas da Carnaby Street do Village atrás de camisas sem colarinho, coletes de couro e calças quadriculadas para inventar sua persona. "Eu era um garoto branco de Yonkers, tentando ficar doidão, tentando ser cool", lembra.

"Steven Tyler, o lábio pendurado como o Jagger, fez todo mundo se levantar", escreveram sobre uma das primeiras apresentações do cantor à frente dos Strangers. "Escreviam coisas assim nos jornais. Compraram minha imitação de Mick, totalmente. Não dava para acreditar. Mas, claro, eu - mais do que qualquer outro no planeta - acreditava nisso. Eu era ele. Não tinha nem 16 anos, mas, em minha cabeça, já era um dos maiores compositores da Inglaterra."

Obcecado pela fama e "imortalidade", ele começou a tatear o mundo em que pleiteava um lugar de honra. Foi aí que conheceu Joe Perry, uma espécie de antiespelho que se tornaria seu parceiro de toda a vida - seu Keith Richards, seu Caim ou seu Abel. Quando começaram a tocar juntos, Steven lembra que havia por cima umas 5 mil bandas de rock tentando alcançar algum sucesso em Boston. "Éramos muito barulhentos para a maioria dos clubes e bares. Fomos expulsos do Bunratty's Bar, em Boston, porque começamos a incorporar músicas nossas ao repertório, e os donos do clube não gostaram."

"Não me tornei Steven Tyler de repente. Fui criando meu espaço, pedaço por pedaço. Steven meio que cresceu tocando em todos os clubes de Nova York, tomando ácido, andando pelo Greenwich Village, viajando e indo a eventos no Central Park. Toda essa coisa é de onde eu vim. Mais do que tudo, fui formado pelo tipo de música que eu ouvia em 1964, 65, 66. The Yardbirds, Stones, Animals, Pretty Things e seu louco baterista Viv Prince - ele era Keith Moon antes de Keith Moon se tornar o baterista louco do The Who."

Tyler fala de tudo, sem papas na língua. "O verdadeiro heavy metal para mim é o Led Zeppelin tocando Dazed and Confused." Aborda seus conflitos com o guitarrista Joe Perry. "Mesmo nos melhores momentos, não nos falamos durante meses. Nas turnês, somos como irmãos, mas sempre há uma tensão no ar, rompida por momentos de êxtase e períodos de puro ódio." Examina fatos constrangedores de sua carreira, como a apresentação na entrega dos Oscar, na qual seu retorno falhou e ele perdeu a primeira parte da canção (ao vivo) e também sobre o dia em que estourou o joelho com um pé de microfone em Anchorage, no Alasca, e ficou caindo no palco. "A ambulância chegou, me deram uma dose de algo que gosto - não soube o que era, mas pude ouvir a abertura de Strawberry Fields flutuando em minha cabeça." O episódio recente com as drogas (todo tipo de drogas), que o levou à enésima internação e ameaçou cortar sua ligação com o Aerosmith encerra o volume.

Os fãs do Led Zeppelin vão amar ler a parte em que ele conta como, em setembro de 2008, ao lado de Jimmy Page, John Paul Jones e Jason Bonham ensaiaram canções do Led Zeppelin o dia todo, com Steven como vocalista, e de como ele decidiu que não ia levar aquilo adiante. "Simplesmente não acho que uma banda como o Led Zeppelin precise de um cantor como eu. Eles já tinham o melhor; eles eram os melhores."

Tyler está com 63 anos, mas sua história prossegue sendo escrita da mesma forma caótica e tumultuada. Em 2010, o Aerosmith cogitou substituí-lo na banda. Mas, em maio daquele mesmo ano, o grupo voltou ao Brasil em turnê pela América do Sul, e fez o show Cocked, Locked, Ready To Rock Tour para um Parque Antártica lotado, cerca de 38 mil afortunados fãs.

A boca descomunal, os gritinhos de traveco animado, a aeróbica incansável, a voz estridente um tanto arranhada pelo tempo, a habilidade teatral em passar de um tema romântico para um blues tradicional pungente: Tyler continua sendo a alma desse circo mambembe de excessos. Quem quiser ver ao vivo o mito, a chance está chegando. No dia 30 de outubro, o Aerosmith toca no Estádio do Morumbi.

No fim do livro consta uma advertência: as letras das músicas não puderam ser traduzidas por motivos legais. É quase um contrassenso: o estupendo clima de liberdade e visionarismo que se experimenta ao longo do relato (com todas as implicações que trazem) contrasta com essa gaiola legal em que a música vive, e esse comercialismo brutal que tolhe as liberdades de nossa época.

Veja também:
Tyler abre o sótão da memória

Última atualização em Ter, 27 de Setembro de 2011 21:08
 
B.B.King faz 86 anos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Estadão - 16/09/2011   
Sex, 16 de Setembro de 2011 16:18

O Blues Boy considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos segue nos palcos

SÃO PAULO - B.B. King comemora nesta sexta-feira 86 anos de idade. Riley Ben King nasceu em 16 de setembro de 1925 no estado do Mississipi, nos Estados Unidos, e sob o nome artístico se consagrou cantor de blues e um grande guitarrista, sempre com uma Gibson, tradicionalmente batizada de Lucille desde os anos 50, aparecendo em terceiro lugar na lista da Rolling Stone atrás apenas de Jimi Hendrix e Duane Allman.

Foto: JF Diorio/ AEB.
B. King em uma de suas apresentações no Brasil, em 2006

Ainda hoje, após mais de 60 anos de carreira, B.B. King faz shows. No ano passado passou pelo Brasil, fazendo três apresentações na capital paulista pela turnê One More Time, que sucedeu o anunciado tour de despedida The Farewell Tour de 2006.

Se mudou para Memphis ainda muito jovem, cenário efervescente da música negra norte-americana e considerado o berço do rock - terra de Elvis Presley -  no final dos anos 40, com pouco dinheiro no bolso. Lá, virou nome de clube de blues, a B. B. King Blues Club, hoje com filiais em vários estados.

Seu nome entrou para o Blues Foundation Hall of Fame em 1884 e, três anos depois, para o Rock and Roll Hall of Fame, já ganhou diversos prêmios Grammy e lançou mais de vinte discos.


Veja também:

link Ouça a playlist Eldorado Blues
link Let's Rock em Memphis - o roteiro turístico do berço do rock


Última atualização em Sex, 16 de Setembro de 2011 16:43
 
Clássicos do início da carreira do Aerosmith ganham versão digital PDF Imprimir E-mail
Escrito por Estadão - 08/09/2011   
Qui, 08 de Setembro de 2011 20:05

Músicas dos discos do início da carreira da banda estão disponíveis para download pela primeira vez

SÃO PAULO - Os clássicos do Aerosmith ganharam versão digital pela primeira vez e estão disponíveis para download desde da última terça-feira, 6. Todas as músicas dos discos lançados entre 1973, quando a carreira do banda teve início, até 1987 ficarão disponíveis para download no Itunes, informou nesta quinta-feira, 8, o Hollywood Reporter.

Foto AP -- As vendas de discos do Aerosmith aumentaram 250% depois que Steven Tyler entrou para o American Idol

As canções fazem parte dos 10 primeiros discos dos veteranos, entre eles Toys in The Attic, de 1975 e Rock in a Hard Place, de 1982. Até então, era impossível baixar conteúdo licenciado de qualquer um desses álbuns na internet.

A iniciativa da Columbia Records, detentora dos direitos autorais do material, foi impulsionada pelo aumento das vendas dos discos do Aerosmith em 250%, depois que Steven Tyler se tornou jurado do programa de maior audiência nos Estados Unidos, o American Idol, na edição deste ano.

Os roqueiros vem ao País em outubro, para a terceira apresentação em 4 anos. Ainda há ingressos disponíveis no site da Tickets For Fun.

O Aerosmith já lançou mais de 20 discos e prepara atualmente o primeiro trabalho inédito desde Just Push Play, de 2001. Os integrantes enfrentaram diversas brigas internas nos últimos anos e vários rumores de que o grupo se separaria surgiram. Um vídeo de um jam durante as gravações do novo álbum foi divulgado pelo fã clube oficial do Aerosmith, o AeroForceOne.

Veja também:
Steven Tyler lança single solo
Aerosmith vai gravar novo disco, diz Steven Tyler

Última atualização em Qui, 08 de Setembro de 2011 20:19
 
Morre bluesman David 'Honeyboy' Edwards PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jotabê Medeiros – Estadão - 31/08/2011   
Sáb, 03 de Setembro de 2011 14:26

Era um dos remanescentes do blues do Delta do Mississippi, e tinha sido parceiro de Robert Johnson

Morreu na segunda-feira, aos 96 anos, o cantor David "Honeyboy" Edwards, um dos mais proeminentes artistas do que se convencionou chamar de Blues do Delta do Mississippi - um escopo geográfico, mas também definido em estilo, instrumentos (gaita, violão, canto forte) e temática ligada à música de trabalho dos afro-americanos da região.

"O blues não é feito para ser tocado rápido, mas para ser tocado lentamente", dizia o velho Honeyboy, que ganhou um Grammy em 2008 pelo disco Last of the Great Mississippi Delta Bluesmen: Live in Dallas, lançado pelo The Blue Show Project. À WBEZ Chicago Public Radio, ele contou como foi ouvir pela primeira vez sua voz em disco, após anos cantando sem gravar. "Eu tocava gaita, e minha voz era realmente forte", disse.

Alguns discos parecem fadados a transformar-se em documentos históricos. Foi o caso de Last of the Great Mississippi Delta Bluesmen: Live In Dallas, lançado em 2007. O álbum reuniu em um show ao vivo as últimas lendas do blues do Delta do Mississippi em atividade: Henry James Townsend, Joe Willie "Pinetop" Perkins, Robert Lockwood, Jr. and David Honeyboy Edwards. O show fora em Dallas, em outubro de 2004.

O time todo já não está mais uivando seus blues por aí. O cantor, guitarrista e pianista The Mule (A Mula), Henry Townsend, morreu em setembro de 2006, aos 97 anos. Robert Lockwood morreu em novembro de 2006, aos 91 anos. Pinetop Perkins morreu em março deste ano, aos 97 anos. E agora foi a vez de Honeyboy, aos 96 anos.

Durante 80 anos Honeyboy tocou com alguns dos mais famosos músicos do blues como Charley Patton, Muddy Waters e Howlin" Wolf. Por causa de seu trabalho e amizade com Robert Johnson, considerado o pai da sintaxe do blues, ele era muito procurado. Ambos viajaram e tocaram juntos em ruas e piqueniques nos anos 1930.

"Nós podíamos andar pelo país com nossos violões sobre os ombros, parávamos na casa das pessoas, tocávamos um pouco e seguíamos adiante", ele contou uma vez ao historiador Robert Palmer. "Pegávamos carona, íamos de caminhão em caminhão ou, se calhasse de a gente conseguir carona com um deles, subíamos no vagão de um trem, porque a estrada de ferro atravessava o país inteiro na época. Rapaz, nós tocamos para muita gente."

Conta a lenda que, em 1938. Honeyboy, Sonny Boy Williamson e Robert Johnson estavam num estabelecimento noturno, e Johnson se engraçou justamente com a mulher do dono do bar. O sujeito teria lhe enviado uma garrafa de uísque com algum tipo de veneno, o que levaria o King of Delta Blues à morte em 16 de agosto de 1938.

Nascido em Shaw, Mississippi, em 28 de junho de 1915, numa fazenda de algodão, ele ganhou o apelido dos pais. A mãe tocava violão, o pai tocava violino. Em 1929, começou a tocar com o bluesman Tommy Johnson. "Eles catavam algodão o dia todo, e de noite eles tocavam os violões", contou o músico em sua autobiografia, The World Don"t Owe Me Nothing (Chicago Review Press, 1997). Em 2006, ele esteve pela última vez no Brasil, apresentando-se no Festival de Inverno de Paranapiacaba.

LENDAS VIVAS

Aos 86 anos, o pianista Henry Gray é um dos ativos sobreviventes do blues. Tocou com Muddy

Waters, Otis Rush e Sonny Boy Williamson e é um dos guardiões da chama do blues boogie-woogie. Aos 81 anos, Bobby Bland, conhecido como O Leão do Blues, é um forte do Tennessee, Os outros gigantes do gênero são muito conhecidos: B.B. King (que já anunciou a aposentadoria diversas vezes) segue tocando com 86 anos, e Buddy Guy, aos 75, o homem que influenciou de Jimi Hendrix a Keith Richards, segura as pontas do blues elétrico.

Mais sobre Honeyboy: http://en.wikipedia.org/wiki/David_%22Honeyboy%22_Edwards

Última atualização em Qui, 08 de Setembro de 2011 20:17
 
Dia Mundial do Rock PDF Imprimir E-mail
Escrito por Estadão - 13/07/2011   
Qua, 13 de Julho de 2011 13:53

elvis

Nessa playlist, você ouve uma seleção de clássicos do rock que chegaram
ao primeiro lugar na parada da Bilboard nas décadas de 60, 70 e 80.

  • 1. Roy Orbison - Oh, Pretty Woman (Uma Linda Mulher)
  • 2. Beatles - Ticket To Ride
  • 3. Elvis Presley - Suspicious Mind
  • 4. The Beach Boys - I Get Around
  • 5. Elton John - Bennie and the Jets
  • 6. Pink Floyd - Another Brick In The Wall
  • 7. Grand Funk Railroad - Locomotion
  • 8. The Rolling Stones - Miss You
  • 9. Rod Stewart - Maggie May
  • 10. Queen - Crazy Little Thing Called Love
  • 11. Eric Clapton - I Shot the Sheriff
  • 12. Van Halen - Jump
  • 13. Fine Young Cannibals - She Drives Me Crazy
  • 14. Dexy\'s Midnight Runners - Come On Eillen
  • 15. Joan Jett - I Love Rock & Roll
  • 16. The Rolling Stones - (I Can't Get No) Satisfaction
  • 17. The Doors - Light My Fire
  • 18. Turtles - Happy Together
  • 19. Guess Who - American Woman
  • 20. The Birds - Mr Tambourine Man
  • 21. Simon & Garfunkel - Mrs. Robinson
  • 22. The Beatles - Come Together
  • 23. U2 - With or Without You
  • 24. Dire Straits - Money for Nothing
  • 25. Yes - Owner Of A Lonely Heart
  • 26. Queen - Another One Bites the Dust
  • 27. Eagles - Heartache Tonight
  • 28. The Police - Every Breath You Take
  • => OUVIR
Última atualização em Qua, 13 de Julho de 2011 14:12
 
História do Jazz PDF Imprimir E-mail
Escrito por Wikipedia   
Dom, 03 de Julho de 2011 15:21

jazzO jazz é uma manifestação artístico-musical originária dos Estados Unidos. Tal manifestação teria surgido por volta do início do século XX na região de Nova Orleães e em suas proximidades, tendo na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes.

O Jazz se desenvolveu com a mistura de várias tradições musicais, em particular a afro-americana. Esta nova forma de se fazer música incorporava blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia, improvisação e notas com swing do ragtime. Os instrumentos musicais básicos para o Jazz são aqueles usados em bandas marciais e bandas de dança: metais, palhetas e baterias. No entanto, o Jazz, em suas várias formas, aceita praticamente todo tipo de instrumento.

Arte acima: Pedro Ghion Rosa - http://pedrogrosa.blogspot.com/

As origens da palavra Jazz são incertas. A palavra tem suas raízes na gíria norte-americana e várias derivações têm sugerido tal fato. O Jazz não foi aplicado como música até por volta de 1915. Earl Hines, nascido em 1903 e mais tarde se tornou celebrado músico de jazz, costumava dizer que estava "tocando o piano antes mesmo da palavra "jazz" ser inventada"Desde o começo do seu desenvolvimento, no início do século XX, o Jazz produziu uma grande variedade de subgêneros, como o Dixieland da década de 1910, o Swing das Big bands das décadas 1930 e 1940, o Bebop de meados da década de 1940, o Jazz latino das décadas de 1950 e 1960, e o Fusion das décadas de 1970 e 1980. Devido à sua divulgação mundial, o Jazz se adaptou a muitos estilos musicais locais, obtendo assim uma grande variedade melódica, harmônica e rítmica.

Conceituação

jazz romeComo o termo "jazz" tem desde longa data sido usado para uma grande variedade de estilos, uma definição abrangente que incluísse todas as variações é difícil de ser encontrada. Enquanto alguns entusiastas de certos tipos de jazz tem colocado definições menos amplas, que excluem outros tipos, que também são habitualmente descritas como "jazz", os próprios jazzistas são muitas vezes relutantes quanto a definição da música que são executadas. Duke Ellington dizia, "é tudo música." Alguns críticos tem dito que a música de Ellington não era de fato jazz, como a sua própria definição, segundo esses críticos, o jazz não pode ser orquestrado.

Por outro lado, os 20 solos de Earl Hines "versões modificadas" das composições de Duke Ellington (em Earl Hines Plays Duke Ellington gravado por volta dos anos 70) foi descrito por Ben Ratliff, crítico do New York Times, como "um exemplo tão bom do processo de jazz quanto qualquer outra coisa que temos."

Há bastante tempo existem debates na comunidade do jazz sobre a definição e as fronteiras do "jazz". Em meados da década de 1930, amantes do jazz de Nova Orleans criticaram as "inovações" da era do swing como contrárias a improvisação coletiva, eles pensavam nisso como essencial para a natureza do "verdadeiro" jazz.

Pelos anos 40, 50 e 60, eram ouvidas criticas dos entusiastas do jazz tradicional e dos fãs do BeBop, na maioria das vezes dizendo que o outro estilo não era, de alguma forma, o jazz "autêntico". Entretanto, a alteração ou transformação do jazz por novas influências tem sido desde o princípio criticada como "degradação", Andrew Gilbert diz que o jazz tem a "habilidade de absorver e transformar influências" dos mais diversos estilos de música.

As formas de música tendo como objetivo comercial ou com influência da música "popular" tem sido ambas criticadas, ao menos quando ocorre o surgimento do Bop. Fãs do jazz tradicional rejeitaram o Bop, o "jazz fusion" da era dos anos 70, é definido por eles como um período de degradação comercial da música. Todavia, de acordo com Bruce Johnson, jazz sempre teve uma "tensão entre jazz como música comercial e uma forma musical". Gilbert nota que como a noção de um cânone de jazz está se desenvolvendo, as "conquistas do passado" podem se tornar "...privilegiadas sob a criatividade particular..." e a inovação dos artistas atuais. O crítico de jazz da Village Voice Gary Giddins diz que assim que a disseminação e a criação do jazz está se tornando cada vez institucionalizada e dominada por firmas de entretenimento maiores, o jazz está lidando com "...um perigoso futuro de aceitação de respeitabilidade e desinteresse." David Ake adverte que a criação de "normas" no jazz e o estabelecimento de um "jazz tradicional" pode excluir ou deixar de lado outras mais novas, formas de jazz avant-garde.

Uma maneira de resolver os problemas de definição é expor o termo "jazz" de uma forma mais abrangente. De acordo com Kin Gabbard "jazz é um conceito" ou categoria que, enquanto artificial, ainda é útil ser designada como: "um número de músicas com elementos suficientes em parte comum de uma tradição coerente". Travis Jackson também define o jazz de uma forma mais ampla, afirmando que é uma música que incluí atributos tais como: "swinging, improvisação, interação em grupo, desenvolvimento de uma "voz individual", e estar "aberto" a diferentes possibilidades musicais".

Improvisação

Enquanto o jazz pode ser de difícil definição, improvisação é claramente um dos elementos essenciais. O blues mais antigo era habitualmente estruturado sob o repetitivo padrão pergunta e resposta, elemento comum em músicas tradicionais. Uma forma de música tradicional que aumentou em parte devido as canções de trabalho e field hollers. No blues mais antigo a improvisação era usada com bastante propriedade.

Essas características são fundamentais para a natureza do jazz. Enquanto na música clássica europeia elementos de interpretação, ornamento e acompanhamento são, às vezes, deixados a critério do intérprete, o objetivo elementar do intérprete é executar a composição como está escrita. No jazz, entretanto, o músico irá interpretar a música de forma peculiar, nunca executando a mesma composição exatamente da mesma forma mais de uma vez.

Dependendo do humor e da experiência pessoal do intérprete, interações com músicos companheiros, ou mesmo membros do público, um intérprete/músico de jazz pode alterar melodias, harmonias ou fórmulas de compasso da maneira que achar melhor. No Dixieland Jazz, os músicos revezavam tocando a melodia, enquanto outros improvisavam contra melodias. A música clássica da Europa tem sido conhecida como um meio para o compositor. Jazz ,contudo ,é muitas vezes caracterizado como um produto de criatividade democrática, interação e colaboração, colocando valor igual na contribuição do compositor e do intérprete.

Na era do swing, big bands passaram a ser mais baseadas em arranjos musicais - os arranjos foram tanto escritos como aprendidos de ouvido e memorizados (muitos músicos de jazz não liam partituras). Solistas improvisavam dentro desses arranjos. Mais tarde no bebop, o foco mudou para os grupos menores e arranjos mínimos; a melodia (conhecida como "head") era indicada brevemente no início e ao término da música, e o âmago da performance era uma série de improvisações no meio.

Estilos de jazz que vieram posteriormente, tais como o jazz modal, abandonando a noção estrita de progressão harmônica, permitindo aos músicos improviso com ainda mais liberdade, dentro de um contexto de uma dada escala ou modo (ex.: "So What" no álbum do Miles Davis, Kind of Blue).

As linguagens avant-garde jazz e o free-jazz permitem, e exigem, o abandono de acordes, escalas, e métrica rítmica, o grupo Das erste Wiener Gemüseorchester é um exemplo de free-jazz. Quando um pianista, violonista ou outro instrumentista com instrumentos harmônicos, improvisam um acompanhamento enquanto um solista está tocando, isso é chamado de comping (contração da palavra "accompanying"). "Vamping" é um modo de comping que é normalmente restrito a poucos acordes repetitivos ou compassos, como oposição ao comping na estrutura do acorde ao longo da composição. O Vamping também é usado como uma maneira simples de estender o começo ou fim de uma música ou continuar uma segue.

Em algumas composições modernas de jazz, onde os acordes fundamentais da composição são complexos ou de mudança rápida, o compositor ou o intérprete podem criar uma série de "blowing changes", que é uma série de acordes simplificada, melhor aplicada em comping e no improviso solo.

História - Origens

jazz clubPor volta de 1808 o tráfico de escravos no Atlântico trouxe aproximadamente meio milhão de africanos aos Estados Unidos, em grande quantidade para os estados do sul. Grande parte dos escravos vieram do oeste da África e trouxeram fortes tradições da música tribal.[4] Em 1774 um visitante os descreveu, dançando ao som do banjo de 4 cordas e cantando "a música maluca", satirizando a maneira com que eram tratados. Uma década mais tarde Thomas Jefferson similarmente notou "o banjar, que foi trazido da distante África". Foi feita de cabaça, como a bânia senegalesa ou como a akonting do Oeste da África. Festas de abundância com danças africanas, ao som de tambores, eram organizadas aos domingos em Place Congo Nova Orleães, até 1843, sendo como uma festa similar em Nova Orleães e Nova Iorque.

Escravos da mesma tribo eram separados para evitar formações de revolta. E, pela mesma razão, nos estados da Geórgia e Mississippi não era permitido aos escravos a utilização de tambores ou instrumentos de sopro que fossem muito sonoros, pois poderiam ser usados no envio de mensagens codificadas. Entretanto, muitos fizeram seus próprios instrumentos com materiais disponíveis, e a maioria dos chefes das plantações incentivaram o canto para que fosse mantida a confiança do grupo. A música africana foi altamente funcional, tanto para o trabalho quanto para os ritos.

As work songs e field hollers incorporaram um estilo que poderia ser ainda encontrado em penitenciárias dos anos 60, e em um caso eram parecidas com uma canção nativa ainda utilizada em Senegal. No porto de Nova Orleães, estivadores negros ficaram famosos pelas suas canções de trabalho. Essas canções mostravam complexidade rítmica com características de polirrítmica do jazz. Na tradição africana eles tinham uma linha melódica e com o padrão pergunta e resposta, contudo, sem o conceito de harmonia do Ocidente. O ritmo refletido no padrão africano da fala e o sistema tonal africano levaram às blue notes do jazz.

No começo do século XIX, um número crescente de músicos negros aprendiam a tocar instrumentos do ocidente, particularmente o violino, provendo entretenimento para os chefes das plantações e aumentando o valor de venda daqueles que ainda eram escravos. Conforme aprendiam a música de dança europeia, eles parodiavam as músicas nas suas próprias danças cakewalk. Por sua vez, apresentadores dos minstrel show, euro-americanos com blackface, estilo de maquiagem usado para sátira, popularizavam tal música internacional, a qual era combinação de síncopas com acompanhamento harmônico europeu. Louis Moreau Gottschalk adaptou música latina e melodia de escravos para músicas de piano de salão, com músicas tais como Bamboula, danse de nègres de 1849, Fantaisie grotesque de 1855 e Le Banjo, enquanto sua música polka Pasquinade, em torno do ano 1860, antecipou ragtime e foi orquestrado como parte do repertório de concerto da banda de John Philip Sousa, fundada em 1892.

Outra influência veio dos negros que frequentavam as igrejas. Eles aprenderam o estilo harmônico dos hinos e os adaptavam em spirituals. As origens do blues não estão registradas em documentos, entretanto, elas podem ser vistas como contemporâneas dos negro spirituals. Paul Oliver chamou a atenção à similaridade dos instrumentos, música e função social dos griots da savana do oeste africano, sob influência Islâmica. Ele notou estudos mostrando a complexidade rítmica da orquestra de tambores da costa da floresta temperada, que sobreviveram relativamente intacta no Haiti e outras partes do oeste das Índias mas não era farta nos Estados Unidos. Ele sugeriu que a música de cordas do interior sudanês se adaptou melhor com a música popular e baladas narrativas, dos ingleses e dos donos de escravos scots-irish e influenciaram tanto o jazz como o blues.

Décadas de 1890-1910 - Ver artigo no Wikipedia "Ragtime"

Nessa época, salões para baile público e tea rooms foram abertos nas cidades. A música popular de bailes na época eram em estilos blues-ragtime. A música era vibrante, entusiástica e, quase sempre, improvisada. A música ragtime daquele tempo era em formato de marchas, valsas e outras formas tradicionais de músicas, porém, a característica consistente era a sincopação. Notas e ritmos sincopados se tornaram tão populares com o público que os editores de partituras incluíram a palavra "sincopado" em seus anúncios. Em 1899, um pianista jovem e treinado, de Missouri, Scott Joplin, publicou o primeiro de muitas composições de Ragtime que viriam a ser música de gosto popular. As apresentações do líder de banda Buddy Bolden em Nova Orleãs, desfiles e danças são um exemplo de estilo de improviso do jazz. O rápido crescimento do público que apreciava a música no pós-guerra produziu mais músicos treinados que fossem formais. Por exemplo, Lorenzo Tio, Scott Joplin e muitas outras importantes figuras, no período inicial do jazz tiveram como base os paradigmas da música clássica.

A abolição da escravidão levou a novas oportunidades para a educação dos afro-americanos que eram livres, mas a segregação racial ainda limitava muito o acesso ao mercado de trabalho. Havia exceções: ser professor, pregador ou músico; e muitos obtinham educação musical. Euro-americanos costumavam ver os músicos negros como provedores de entretenimento de "classe-inferior" nas danças e nos minstrel shows, e mais tarde o vaudeville. Várias bandas marciais foram formadas, aproveitando a disponibilidade dos instrumentos usados nas bandas do exército. Um pianista negro não podia ser aceito em salas de concertos, mas poderia ser encontrado tocando na igreja ou tinham oportunidades de trabalho em bares, clubes e bordéis de zonas de prostituição, sendo que, aqueles que liam partitura eram chamados de "professores" enquanto os outros eram tocadores(ticklers)" que tocavam marfim. Antonin Dvorák escreveu um artigo controverso, publicado em fevereiro de 1898 no Harper's New Montly Magazine, aconselhando os compositores americanos a basearem a sua música nas melodias dos negros.As danças são normalmente inspiradas pelos movimentos de dança africanos, e foram adotadas por um público de pessoas brancas que viram as danças em vaudeville shows. O cake walk, desenvolvido por escravos como uma cópia satirizada dos bailes formais, se tornou popular. Os Cakewalks, as canções de negros e a música de Jig Bands se desenvolveram em ragtime, em 1895. Posteriormente, Tin Pan Alley, Irving Berlin começaram a incorporar o ragtime em suas composições.

O ragtime, gradualmente, se desenvolveu como música de improviso, com fontes incluindo o cakewalk, as marchas de Sousa e as peças para piano de salão, tais como as variações de Gottschalk, baseados na América Latina e nas melodias dos escravos. Apareceram registradas como partitura, através do animador Ernest Hogan, canções supostamente ditas como canções de sucesso em 1895, e dois anos mais tarde Vess Ossman gravou um medley dessas músicas no banjo solo: "Rag Time Medley".
Também em 1897, o compositor William H. Krell publicou seu "Mississippi Rag", como a primeira peça de rag escrita para piano. Scott Joplin, pianista instruído na forma clássica, produziu seu "Original Rags" no ano seguinte, então em 1899 o "Maple leaf Rag" foi um sucesso internacional. Ele compôs vários rags populares, combinando sincopação, figurações do banjo e, às vezes call-and-response, entretanto, suas tentativas no ragtime na ópera e no balé foram sem sucesso. Porém, a banda de Philip Sousa tocou ragtime em suas jornada pela Europa, de 1900 até 1905, e a linguagem "ragtime" foi continuada por compositores clássicos, incluindo Claude Debussy e Igor Stravinsky.

Nova Orleans - Ver artigo no Wikipedia "Nova Orleãs"

Nova Orleãs tinha se tornado uma mistura de raças. Os franco-criolos aproveitavam muitas das oportunidades dos brancos, e grupos de negros participavam em músicas clássicas e em óperas da cidade. Entretanto, a lei de segregação, que entrou em vigor no ano de 1894, classificou a população afro-crioula como "negra", colocando as duas comunidades em uma só definição. Desde 1857, existia prostituição legalizada na área conhecida como "The Tenderloin", e em 1897 essa zona de meretrício, próximo a Basin Street, ficou conhecida como "Storyville", lendário provedor de emprego para os talentos do jazz que surgia.
Na época, diversas bandas marciais, tais como a Onward Brass Band (fundada por volta de 1880), encontraram serviço em diversas situações, particularmente em funerais luxuosos. Neles, se tocava música solene no caminho do cemitério, e posteriormente no caminho de volta eram executadas versões de músicas como a Marcha Fúnebre em estilo ragtime.A partir do ano de 1890, o trompetista Buddy Bolden liderou uma banda que fazia apresentações em Storyville, incorporando dança Afro-criola, música com elementos de blues e adicionando swing ao ritmo, trazendo inspiração a futuros músicos de jazz. Sua carreira acabou abruptamente em 1907, antes que ele gravasse, até então não se sabe ao certo o seu estilo. Suas apresentações nos desfiles e danças de Nova Orleães parecem ter sido exemplos iniciais do improviso no jazz.

O inovador pianista afro-criolo Jelly Roll Morton (foto) começou sua carreira em Storyville, e mais tarde disse ter usado o termo jazz em 1902 quando demonstrou a diferença entre ragtime como um tipo de sincopação, adequada somente para algumas canções, e jazz como "um estilo que pode ser aplicado a qualquer tipo se canção", inclusive clássicos populares, tais como as árias de Giuseppe Verdi. De 1904, ele fez tours com shows vaudevile, em torno das cidades do sul, também tocando em Chicago e Nova Iorque
O "Jelly Roll Blues", composta por Jelly Morton em 1905 e publicada em 1915, foi o primeiro arranjo de jazz impresso. Isso permitiu que mais músicos fossem apresentados ao estilo de Nova Orleãs. Bolden influenciou Freddie Keppard, o qual iniciou tocando por volta de 1906. Rapidamente obteve sucesso. Aproximadamente em 1917, Keppard se juntou à Bill Johnson's Original Creole Orchestra, que fazia performances em Los Angeles, California, meses antes de fazer tours em várias cidades com o vaudeville, introduzindo o estilo nas áreas do norte.No mesmo ano a liderança estava com Joe "King" Oliver, que possuía um estilo mais relativo ao blues. Oliver tocava com o trombonista Kid Ory, e ensinava o jovem fã de Bolden Louis Armstrong. Enquanto a maioria das bandas eram afro-criolas ou negras, Papa Jack Laine era talvez o primeiro músico de jazz que não era negro. Sua banda, Reliance Brass Band, começou em 1888 e continuou com várias etnias apesar das leis de segregação.

Décadas de 1920-1930


A proibição da venda de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, que vigorou de 1920 a 1933, resultou na criação dos speakeasies, locais onde a bebida era vendida ilegalmente. Esses estabelecimentos acabaram sendo grandes difusores do Jazz, que, por isso, ganhou a reputação de ser um estilo musical imoral.
Nesse período, em 1922, a Original Creole Jazz Band se tornou a primeira banda de Jazz de músicos negros de Nova Orléans a fazer gravações. No entanto, era Chicago o novo centro do desenvolvimento do Dixieland, porque lá se juntaram King Oliver e Bill Jonhson. Naquele ano Bessie Smith, famosa cantora de blues, também gravou pela primeira vez.Bix Beiderbecke formou o grupo "The Wolverines" em 1924. No mesmo ano Louis Armstrong se tornou solista da banda de Fletcher Henderson por um ano e depois formou o seu próprio grupo, o Hot Five. Jelly Roll Morton gravou com os New Orleans Rhythm Kings, e em 1926 formou os Red Hot Peppers. Na época havia um grande mercado para a música dançante influenciada pelo Jazz tocada por orquestras de músicos brancos, como a de Jean GoldKette e a de Paul Whiteman. Em 1924 Whiteman pediu ao compositor George Gershwin que ele criasse um concerto que misturasse características de Jazz com a música clássica, o que resultou na famosa Rhapsody in Blue, que foi executada na première o concerto An Experiment in Modern Music, regido por Whiteman.

Veja Projeto Jazz do Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Projetos/M%C3%BAsica/Jazz

Última atualização em Sex, 08 de Julho de 2011 13:37
 

Enquetes

Moretti deveria cortar o bigode?
 

M&M Player

Visitantes

Visualizações de Conteúdo : 10663

Visitantes Online

Temos 1 visitante online