Virtus Junxit Mors Non Seperabit

Lidar com situações de conflito pode ser um desafio intransponível

É importante ter uma postura assertiva, segura e equilibrada que seja capaz de mediar os ocasionais conflitos dentro da corporação

Todos sabemos que para alcançar uma dinâmica positiva no ambiente do trabalho, a cooperação de todos os que fazem parte daquele espaço é fundamental.

Muitas vezes, colaboradores com grande potencial não se desenvolvem, não só por conta de conflitos no relacionamento com colegas ou com os valores do negócio, mas também, pela falta de uma mediação adequada.

Divergências de ideias e posições que se opõem fazem parte do dia a dia de qualquer ambiente com interação social. Se conduzido corretamente, esses aparentes conflitos, na verdade, são um instrumento muito válido para o crescimento e, em uma empresa, podem ser extremamente válidos para o surgimento de novas ideias e movimentos de inovação.

Tudo isso pode agregar muito a uma corporação que permita que este diálogo saudável e democrático exista em sua equipe.

É justamente este o papel de um líder: ser capaz de enxergar os pontos fortes e fracos de todos com quem ele trabalha e solucionar divisões da forma mais harmoniosa, respeitosa e objetiva possível.

Para isso, é preciso que ele, antes de qualquer coisa, tenha atitudes que possam refletir seus valores éticos e morais para todos que trabalham sob sua gestão.

Pilares de uma boa conduta de trabalho
Frequentemente, são fatores simples que conduzem a construção de uma atmosfera de trabalho positiva. Simples, porém cruciais, dos quais cito: clareza na hora de exprimir suas ideias; comunicação em que ambos os lados estejam dispostos a ouvir e não só expressar o que tem em mente; organização na distribuição de tarefas; tratamento justo e igualitário com todos os membros de uma equipe; integração dos novos colaboradores e, em especial, o estabelecimento de valores que representem a missão e os valores da empresa no mercado.

Não dar atenção a esses pontos, seguramente irá desequilibrar a performance não só individual de seus colaboradores, mas da empresa como um todo.

Problemas mais comuns
Conflitos de interesse, personalidades distintas, necessidades não comuns, bem como diversos outros são apenas algumas das problemáticas que mais ocorrem nas empresas por conta da falta de uma comunicação honesta e direta. Isso, além da necessidade de uma flexibilidade suficiente para que se façam concessões e para que se aceite a contribuição do outro no desenvolvimento de ações em prol do crescimento de uma empresa. 

O que rege duramente esta dinâmica é o erro de sempre priorizarmos o bem individual ao invés do bem coletivo, sejamos nós líderes ou subordinados. Claro que é importante conquistar metas individuais de crescimento em uma empresa, todavia, qualquer negócio é formado pela soma do potencial de todas as partes, e não por indivíduos que se portam como ilhas de isolamento. Posturas egoístas, aliás, geram inúmeros outros embates, pois, a partir deste momento, toda e qualquer ação dentro do ambiente de trabalho terá como objetivo principal um benefício pessoal que, embora possa ser correto, não condiz com o objetivo da empresa. E com todos os indivíduos reproduzindo este mesmo padrão egoísta de comportamento, vemos cada vez mais as empresas não conseguirem ser percebidas pelos seus objetivos centrais e em comum, visto o olhar centralizado em um espectro micro, e não macro de desenvolvimento empresarial.

Papel do gestor
Mais do que coordenar as tarefas de seus liderados, a figura do líder deve proporcionar a base para que uma rede de relacionamentos saudáveis e maduros possa ser formada. Não podemos esperar, por exemplo, que um funcionário cujas intenções eram originalmente as melhores mantenha este rendimento quando não tem um incentivo de quem está encarregado de conduzir todo este processo.

Por isso que para esse líder, o autoconhecimento torna-se essencial, inclusive quanto ao da sua equipe. Entender a origem das próprias emoções, de seu descontentamento, do desânimo em relação ao trabalho ou de eventual raiva para com algo ou alguém neste ambiente, é imperativo para que haja um ambiente claro e propicio para o desempenho comportamental de todos.

A imparcialidade na hora de tomar decisões também é crucial, assim como o ato de não culpabilizar alguém automaticamente por determinada situação. Somos todos passíveis de equívocos e atitudes intempestivas nunca levam a lugar algum.

Conflito sob uma nova perspectiva
Outro ponto-chave a ser levantado é a ótica sob a qual estamos condicionados a absorver um conflito, principalmente na esfera empresarial. Ao escrever o livro “Gerenciamento de Performance” em 2004, o CEO e fundador da Bacal&Associates, Robert Bacal ressalta a importância de percebermos o confronto de ideias como, antes de tudo, uma grande oportunidade de aprimoramento. 

Segundo ele, a conotação destrutiva que estamos habituados em agregar em todo e qualquer embate de ideais, embora muito mais disseminada nos espaços de trabalho, não necessariamente reflete a natureza deste tipo de situação. Ainda em seu livro, Bacal ressalta a importância de um gerenciamento eficaz, que – dentre outros – identifique os problemas existentes e seja capaz de, ao lado de sua equipe, construir uma nova estrutura organizacional embasada na correção das adversidades observadas.

conflito

Importância da abordagem
Como podemos ver, muito da gestão de conflitos e de sua verdadeira base, a gestão de pessoas, depende da visão a qual estamos sujeitos. Logo, uma vez que ajustada para uma perspectiva mais otimista e capaz de enxergar o conflito como algo capaz de gerar inovação e impulsos criativos, o próprio conflito passa a ser sadio, com grande potencial para crescimento de todos os envolvidos. É aí que vemos que, ao falar de gestão de colaboradores e sua respectiva dinâmica, não fugimos de preceitos básicos de qualquer interação humana democrática e estimulante.

Uma conversa que conceda a ambos os lados o direito de expressão, que de forma alguma anule o posicionamento do outro que está sendo exposto, que seja conduzida por indivíduos capazes de levar em consideração todos os pontos apresentados e que saibam ponderar de maneira empática e humana, todos estes pontos fazem toda a diferença na construção de um verdadeiro diálogo. Com isso, cria-se um clima de respeito e confiança mútua, que edifica todas as relações interpessoais no ambiente de trabalho, independentemente de cargos hierárquicos ou divergências de valores e opiniões.

Certas questões, por mais que discutidas e fomentadas, nunca entrarão em acordo entre si. Nestes casos, os gestores precisam arbitrar de acordo com os valores centrais da companhia. A partir deste momento surgem, novas percepções e novas práticas na empresa, tendo o gestor como ente importante nesse desenvolvimento, onde todos crescem e se aperfeiçoam, tanto como seres humanos como profissionais. Sem a primeira qualidade, a segunda nunca poderá existir. Elas precisam coabitar a mente e a essência de qualquer líder que busque conduzir um time inspirado e comprometido com os ideais propostos pela sua organização.

(*) Alexandre Velilla Garcia é CEO do Cel.lep Idiomas

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