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Segurança da Informação

Ataques do WannaCry são apenas o começo. Há variantes por aí

Da Redação, com IDG News Service Segurança da Informação 17 Mai 2017

Pesquisadores acreditam que outros atacantes vão começar a explorar a mesma falha explorada pelo ransomware

Milhares de organizações de todo o mundo foram pegas de surpresa pelo ataque de ransomware WannaCry lançado na última sexta-feira. À medida que essa ameaça se dissemina rapidamente, mais criminosos cibernéticos provavelmente tentarão lucrar com esta e outras vulnerabilidades semelhantes.

Como um programa de ransomware, o WannaCry em si não é tão especial ou sofisticado. De fato, uma versão anterior do programa foi distribuída em março e abril e, a julgar pela sua implementação, seus criadores não são muito hábeis.

A diferença entre os ataques anteriores do WannaCry e o último é um componente semelhante a um verme que infecta outros computadores explorando uma vulnerabilidade crítica de execução remota de código na implementação do protocolo Server Message Block 1.0 (SMBv1) do Windows.

A Microsoft lançou um patch para esta vulnerabilidade em março e, logo após o ataque de sexta-feira, tomou o passo incomum de liberar correções para versões mais antigas do Windows que não são mais suportadas, como Windows XP, Windows Server 2013 e Windows 8 .

Os atacantes do WannaCry não tiveram muito trabalho para construir o componente de infecção baseada em SMB, uma vez que simplesmente adaptaram uma exploração existente vazada em abril por um grupo chamado Shadow Brokers. 

Variantes já detectadas
A versão do WannaCry que se espalhou na sexta-feira teve uma peculiaridade: Tentava entrar em contato com um domínio não registrado e interrompia sua execução quando ao alcançá-lo, interrompendo a infecção. Um pesquisador que usa o alias online MalwareTech rapidamente percebeu que isso poderia ser usado como um interruptor  para retardar a propagação do ransomware.

Desde então, os pesquisadores descobriram algumas outras versões.

Uma variante do ransomware foi capaz de infectar alguns dos computadores remendados após a infecção com o malware original na semana passada, de acordo com um alto funcionário do Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos.

"Estamos trabalhando em como lidar com essa variante e compartilhar como pudermos", disse o funcionário que pediu para não ser identificado. O funcionário não disse quantos computadores foram afetados pela variante.

O DHS trabalhou com o FBI e outras autoridades policiais durante o fim de semana para identificar vítimas do ataque e ajudá-los a recuperar sistemas sem pagar um resgate, principalmente instalando patches do Windows.

Isso indica que os ataques, tanto dos autores do WannaCry como de outros cibercriminosos, provavelmente continuarão e, apesar dos patches estarem disponíveis, muitos sistemas provavelmente permanecerão vulneráveis por algum tempo. Afinal, os fornecedores de segurança ainda estão vendo tentativas de exploração bem sucedidas hoje para o MS08-067, a vulnerabilidade do Windows que permitiu que o worm do computador Conficker se espalhasse há nove anos.

"Provavelmente vai piorar antes que melhore, uma vez que essa será uma das ameaças mais graves para os próximos 12 meses", disse Catalin Cosoi, estrategista-chefe de segurança da Bitdefender, em um post sobre a vulnerabilidade EternalBlue.

Ele acredita que os grupos de ciberespionagem patrocinados pelo Estado também podem aproveitar a falha de SMB para plantar backdoors furtivos em computadores enquanto os defensores estão ocupados lidando com o ataque de ransomware muito mais visível.

A empresa de segurança BinaryEdge, especializada em varreduras na Internet, detectou mais de 1 milhão de sistemas Windows que têm o serviço SMB exposto à Internet. O número é consideravelmente maior do que as 200 mil máquinas afetadas pelo WannaCry, por isso há potencial para mais ataques e vítimas.

O sucesso do WannaCry mostrou que um grande número de organizações estão ficando para trás em patches e que muitos têm sistemas legados que executam versões antigas do Windows. Até certo ponto, isso é compreensível porque a implantação de patches em ambientes com um grande número de sistemas não é uma tarefa fácil. As empresas precisam testar os patches antes de instalá-los para garantir que eles não têm problemas de compatibilidade com os aplicativos existentes e quebrar os fluxos de trabalho existentes.

Na lista de países abaixo, compilada pela Avast é possível ver a porcentagem dos computadores que ainda não atualizaram os sistemas operacionais com  o patch MS17-010 da Microsoft. Sem isso e sem uma solução de segurança com antivírus, os usuários continuarão vulneráveis aos ataques. Em termos globais, 15% dos usuários da Avast ainda não aplicaram a atualização. Os dados foram obtidos hoje, dia 15 de Maio de 2017, às 07h38 (hora de Brasília).

tabela

Em outros casos, as organizações podem estar presas a determinados sistemas que executam versões do Windows não suportadas sem recursos financeiros para atualizá-las ou substituí-las. É o caso dos caixas eletrônicos, dispositivos médicos, máquinas de bilhetagem, quiosques eletrônicos de autoatendimento como os dos aeroportos, e até mesmo os servidores que executam aplicativos legados que não podem ser facilmente reestruturados.

No entanto, existem medidas que podem ser tomadas para proteger esses sistemas, como isolá-los em segmentos de rede onde o acesso é estritamente controlado ou por desativar protocolos e serviços desnecessários. A Microsoft tentou convencer as empresas a parar de usar o SMBv1 por algum tempo, já que ele tem outros problemas além desta falha.

"Existem certas organizações ou setores - por exemplo, médicos - onde o patch não é uma questão simples", disse Carsten Eiram, diretor de pesquisa da empresa de inteligência de vulnerabilidade Risk Based Security, por e-mail. "Nesses casos, é imperativo que eles compreendam corretamente os riscos e procurem soluções alternativas para limitar a ameaça".

O sucesso do WannaCry, pelo menos na medida em que sua distribuição foi rápida, provou aos cibercriminosos que há muitos sistemas vulneráveis em redes empresariais que podem ser alvo de antigas explorações. É possível que eles tentem usar outras explorações da NSA vazadas pelos Shadow Brokers ou sejam mais rápidos aem adotar façanhas para falhas futuras que possibilitem ataques similares em massa em LANs.

"A explosão do EternalBlue faz parte de um vazamento maior chamado" Lost In Translation "que reúne múltiplas vulnerabilidades que vão desde simples aborrecimentos até situações extremamente graves", disse Bogdan Botezatu, analista sênior de e-threat da Bitdefender. 

Eiram está convencido de que muitas vulnerabilidades permitirão ataques de ransomware semelhantes no futuro.

- Não duvido disso por um segundo - disse ele. "Todos os anos vemos tais vulnerabilidades."

Então, resta aos CIOs e CSOs tentarem tapar os possíveis buracos de suas infraestruturas. 

Práticas e diretrizes para proteger os serviços de Cloud Computing

Rahul Pangam, Network World/EUA Segurança da Informação 25 Abril 2017

Confira sete das principais disposições de segurança que qualquer provedor de serviços em nuvem deve oferecer

À medida que as empresas migram suas aplicações e dados para a nuvem, os executivos de TI enfrentam cada vez mais o desafio de equilibrar os benefícios gerados pelos ganhos de produtividade com os riscos significativos em relação à conformidade e à segurança.

Segurança na nuvem, convém frisar, não é o mesmo que a segurança no data center corporativo. Regras e metodologias diferentes devem ser aplicadas para assegurar uma infraestrutura sobre a qual não se tem controle físico real.

Ao optar pelos serviços em nuvem, as empresas precisam avaliar vários fatores-chave, incluindo:

• Capacidade de criptografia de dados, tanto para dados em trânsito como para dados em repouso, que não estão sendo transmitidos;

• Garantia de proteção, pois a segurança de dados, especialmente em um ambiente de nuvem multi-tenant (múltiplos clientes, que compartilhem os mesmos recursos, como um aplicativo ou ERP), em que o acesso a seus dados e como ele é isolado da vulnerabilidade de outros sistemas, não é clara;

• Ter controles de privacidade sobre quem pode acessar seus dados, quanto tempo ele pode ser usado, armazenado, etc.

• Assegurar que o provedor de serviços tenha controles de manutenção e gerenciamento e outras medidas para garantir que o sistema esteja sempre protegido e atualizado com os mais recentes patches de segurança de software, servidor, sistema operacional, etc.

Muitos profissionais de segurança são altamente céticos sobre a segurança de serviços e infraestrutura baseados em nuvem. Devido a isso, a seguir listamos algumas práticas recomendadas e diretrizes que podem ser usadas para aproveitar com segurança os benefícios da nuvem, usando seus pontos fortes para superar questões que tradicionalmente foram rotuladas como fraquezas.

1. Criptografia de dados em transição deve ser fim a fim
Toda a interação com os servidores deve acontecer através da tecnologia SSL (Secure Socket Layer), que é utilizada para melhorar a segurança da transmissão de dados através da internet. O SSL deve terminar apenas na rede provedor de serviços em nuvem.

2. A criptografia é importante para dados em repouso, também
A criptografia de dados confidenciais deve ser ativada em repouso, não somente quando os dados são transmitidos através de uma rede. Esta é a única maneira que se pode cumprir com confiança as políticas de privacidade, requisitos regulamentares e obrigações contratuais para o tratamento de dados sensíveis.

Os dados armazenados em discos na nuvem devem ser criptografados usando o AES-256 (padrão de criptografia avançada) e as chaves de criptografia devem ser criptografadas com um conjunto de chaves-mestras trocadas regularmente.

Idealmente, o provedor de serviços em nuvem também deve fornecer criptografia em nível de campo. Os clientes devem ser capazes de especificar os campos que deseja criptografar (por exemplo, número do cartão de crédito, INSS, CPF, etc.).

3. Os testes de vulnerabilidade devem ser rigorosos e contínuos
O provedor de serviços em nuvem deve empregar ferramentas de resposta a incidentes e vulnerabilidades líderes de mercado. Por exemplo, ferramentas de resposta a incidentes que permitam avaliações de segurança totalmente automatizadas e que possam testar as vulnerabilidades do sistema, além de reduzir drasticamente o tempo entre as auditorias críticas de segurança, de periodicidade anual ou trimestral, mensal, semanal ou diária.

Você pode decidir com que frequência uma avaliação de vulnerabilidade é necessária, variando de dispositivo para dispositivo e de rede para rede. As verificações podem ser agendadas ou executadas sob demanda.

4. Ter uma política de exclusão de dados definida e aplicada
Após o período de retenção de dados de um cliente (conforme especificado em um contrato com o cliente) ter terminado, os dados devem ser excluídos programaticamente.

5. Adicione camadas de proteção com segurança de dados no nível do usuário
O serviço em nuvem deve fornecer recursos de controle de acesso baseados em função RBAC (controle de acesso baseado em função) para permitir que os clientes definam permissões de acesso e edição de usuário específicas para seus dados. Esse sistema deve permitir uma segregação rigorosa, baseada em controle de acesso e de deveres dentro de uma organização para manter a conformidade com os padrões internos e externos de segurança de dados.

6. Garantir uma rede e nuvem virtual privada
Em vez de uma oferta multi-tenant, seu provedor de armazenamento em nuvem ou software como um serviço (SaaS) poderia fornecer um ambiente de nuvem para ser usado somente por você e no qual tenha total controle e acesso aos dados. O Amazon Web Services (AWS) refere-se a isso como uma nuvem virtual privada (VPC). Os clientes podem se conectar de forma segura ao seu data center corporativo e todo o tráfego de e para outras instâncias em seu VPC pode ser encaminhado para seu data center corporativo por meio de uma conexão de VPN de hardware IPsec.

7. Insista em certificações rigorosas de conformidade
As duas certificações mais importantes são:

• PCI DSS: Para obter essa certificação, um provedor de SaaS tem que passar por auditorias detalhadas para garantir que dados sensíveis (por exemplo, dados de cartão de crédito) sejam armazenados, processados e transmitidos de forma totalmente segura e protegida. O PCI DSS é um padrão de segurança multifacetado que inclui requisitos de gerenciamento de segurança, políticas, procedimentos, arquitetura de rede, design de software e outras medidas de proteção críticas.

• SOC 2 Tipo II: Útil em processos de gestão de risco interno, supervisão de conformidade normativa, bem como programas de gestão de fornecedores. A certificação SOC 2 confirma que um serviço de nuvem é projetado especificamente e rigorosamente conseguiu manter o alto nível de segurança de dados.

Ambas as certificações podem oferecer informações comparativas úteis para os prestadores de serviços em nuvem que você pode considerar.

As discas acima são apenas algumas das principais disposições de segurança que qualquer provedor de serviços em nuvem deve oferecer em seu serviço em nuvem. Proteção em profundidade é tradicionalmente uma questão de princípios de projeto rigoroso e políticas de segurança.

  1. Trump, o Congresso americano e a privacidade da banda larga
  2. Aumento da confiança na nuvem traz mais preocupações
  3. A segurança da informação merece a mesma atenção que a segurança pública
  4. Estamos próximos do fim da autenticação por senhas enviadas via SMS?
  5. Como operar um Centro de Operações de Segurança hoje
  6. Veículos autônomos e os desafios para a cibersegurança
  7. Cibercrime causa prejuízo de US$10 bilhões aos brasileiros em 2016
  8. Será que a sua geladeira está enviando e-mails sem a sua permissão?
  9. Brasil é o quarto país no disparo de ataques DDoS a partir de dispositivos IoT
  10. Ciberataques crescem 196% durante a Rio 2016
  11. Sua empresa já tem uma estratégia de SecOps?
  12. Cinco passos para ter uma vida digital mais segura
  13. Aprenda a ser mais cuidadoso com as suas senhas
  14. Ransomware já é o tipo de malware mais rentável da história
  15. Ataques DDoS estão maiores e mais frequentes, confirma Arbor

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