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Segurança da Informação

3 linhas de defesa para a mitigação de riscos cibernéticos

Sergio Kogan e Henrique Quaresma Segurança da Informação 12 Agosto 2018

Não espere sua organização ser impactada por um incidente cibernético para agir

É fato que a preocupação em relação aos riscos cibernéticos ganhou a atenção da alta administração de muitas empresas e dos governos, especialmente com a grande cobertura que a mídia tem dado para o assunto, como por exemplo o caso do WannaCry ocorrido em maio de 2017.

De acordo com relatório “The Global Risks Report 20181”, desenvolvido anualmente pelo Fórum Econômico Mundial, Ataques Cibernéticos são o 3º risco em termos de probabilidade, seguido por Roubo ou Fraude de Dados (4ª posição) que também tem relação direta com a segurança cibernética. Em 2016 o risco de ataques cibernéticos não constava no Top 10.

Adicionalmente, os órgãos reguladores no mundo todo têm promulgado leis, regulamentos e orientações que endereçam essa preocupação em relação ao tema segurança cibernética. Como exemplo, o Banco Central do Brasil (BACEN) publicou no último dia 26 de abril a resolução 4.658 que determina que as Instituições Financeiras brasileiras devem definir e implementar uma política e medidas de proteção cibernética, além de monitorar e gerenciar os incidentes cibernéticos.

Desafio de gerenciar os riscos cibernéticos
Em diversas organizações no Brasil o tema segurança cibernética é delegado à área de Tecnologia da Informação (TI), uma vez que o componente tecnológico é visto como o principal mecanismo de proteção a ser implementado e gerenciado. Outro fator que contribui para o foco tecnológico da gestão dos riscos cibernéticos é o desconhecimento dos executivos da organização em relação aos riscos envolvidos e seu real impacto no negócio.

O que algumas empresas não levam em consideração é que quando ocorrem incidentes, a organização pode ser impactada de diversas maneiras. Por esse motivo, os riscos cibernéticos devem ser gerenciados como um risco de negócio, com o mesmo nível de atenção e diligência dos outros riscos corporativos.

Integrando riscos cibernéticos nas três linhas de defesa
Estabelecendo como uma premissa fundamental que risco cibernético é um risco de negócio, faria sentido utilizarmos as estruturas, metodologias, práticas e ferramentas de Gestão de Riscos Corporativos para identificar, classificar, analisar, tratar e monitorar os riscos cibernéticos?

A resposta é sim. E uma vez que a forma de gestão, e principalmente de apresentação e comunicação, dos riscos corporativos é conhecida pela Alta Administração, se torna um pré-requisito a tradução do linguajar técnico, comumente utilizado para comunicar os riscos cibernéticos, para riscos de fácil entendimento de profissionais que não possuem o conhecimento técnico em segurança cibernética, porém conhecem profundamente do negócio da organização, e como riscos podem impactar no atingimento dos objetivos estratégicos ou operacionais.

Do ponto de vista de governança de riscos, a estrutura das Três Linhas de Defesa2 (3LoD – Line of Defense) está sendo amplamente divulgada e implementada pelas organizações.

Como adotar essa estrutura para gerenciar os riscos cibernéticos de uma forma holística e integrada?
Em primeiro lugar, é importante determinar as atribuições de cada linha de defesa para que não haja sobreposição e retrabalho, especialmente no cenário atual de busca constante de otimização de custos nas empresas brasileiras.

Primeira linha de defesa
A 1ª linha de defesa é responsável por implementar e operacionalizar os controles para mitigar os riscos cibernéticos. A tradicional função de segurança de TI se enquadra nesse papel, uma vez que geralmente é responsável por implementar e gerenciar processos e soluções tecnológicas relevantes para a segurança cibernética, tais como desenvolvimento de software seguro, gestão de acessos, gestão de vulnerabilidades e atualização de software, monitoração de eventos de segurança, entre outras.

Entretanto, outras áreas da organização também possuem um papel importante na gestão de riscos cibernéticos:

– Recursos Humanos: Geralmente, os colaboradores de uma organização são o elo mais fraco para assegurar uma adequada segurança cibernética, e deve-se dar o devido nível de atenção do momento da contratação até o desligamento do colaborador. Para que isso ocorra, o departamento de Recursos Humanos deve estar alinhado e conhecer o seu papel na gestão de riscos cibernéticos;

– Suprimentos/Compras: Durante a contratação de um fornecedor, diversas atividades devem ser coordenadas pela área, em conjunto com a área contratante e com o apoio da Segurança da Informação Corporativa (2ª linha de defesa que discutiremos logo a seguir neste artigo), para assegurar que os devidos cuidados foram tomados em relação à seleção do terceiro. Uma adequada gestão de riscos de segurança da informação em terceiros (fornecedores e parceiros) deve ser definida e implementada pela organização. Você tem conforto e confiança de que os seus fornecedores e parceiros tratam a sua informação com o mesmo nível de diligência que a sua organização?

Outras áreas também possuem um papel fundamental nessa gestão de riscos cibernéticos corporativos como Segurança Patrimonial/Física, áreas de negócio e de Inovação e Digital.

Entretanto, como atuar de forma integrada e organizada?

A resposta é a 2ª linha de defesa.

riscocibernetico

Segunda linha de defesa
É responsável por definir as diretrizes e monitorar o cumprimento pela 1ª linha de defesa.

Na gestão de riscos cibernéticos, a proposição é a existência de uma função de Segurança da Informação Corporativa independente.

Cabe a essa área a responsabilidade por:

– Definir a visão, missão e estratégia para gestão dos riscos cibernéticos na organização alinhada à estratégia do negócio e apetite ao risco;

– Definir as diretrizes e suportar a 1ª linha de defesa na implementação das políticas, normas e procedimentos considerando seus papéis e responsabilidades;

– Realizar o treinamento e conscientização dos colaboradores da organização fomentando uma cultura de segurança cibernética;

– Identificar, classificar, analisar, tratar e monitorar os riscos cibernéticos;

– Apoiar na gestão de riscos em terceiros (fornecedores e parceiros) durante a seleção do terceiro e durante todo o ciclo de vida do relacionamento da organização com esse terceiro.

– Atuar na resiliência e continuidade de negócios (Plano de Continuidade Operacional, Plano de Recuperação de Desastres de TI e Gestão de Crises);

– Realizar o monitoramento dos indicadores e da conformidade da organização e dos terceiros.

Terceira linha de defesa
Por fim, a Auditoria Interna necessita de profissionais capacitados e com conhecimento técnico para realizar avaliações independentes que permeiam o ciclo completo de gestão de riscos cibernéticos. É preciso considerar os riscos cibernéticos em todas as auditorias de estratégia, governança e processos da organização e não somente das áreas de TI e Segurança.

O risco cibernético é um risco de negócio e sua efetiva gestão permeia as diversas áreas da organização. O conceito de três linhas de defesa auxilia na estruturação e definição clara dos papéis e responsabilidades de forma que a atuação seja integrada.

Não espere sua organização ser impactada por um incidente cibernético para agir. Entenda como os riscos cibernéticos estão evoluindo e afetam a sua organização, mantenha-se à frente das novas regulamentações, integre uma adequada estratégia e cultura de segurança cibernética dentro da organização, trabalhe integradamente junto aos terceiros para proteger todo o ecossistema do negócio focando nos ativos críticos que não podem ser comprometidos.

*Sergio Kogan é Líder em Cybersecurity da EY Brasil; Henrique Quaresma é Gerente sênior especialista em gestão de riscos cibernéticos da EY Brasil

Backdoors continuam aparecendo nos roteadores da Cisco

Lucian Armasu Segurança da Informação 02 Agosto 2018

Nos últimos meses, não um, não dois, mas cinco backdoors diferentes se juntaram à lista de falhas de segurança nos roteadores Cisco.

Arquitetura da Cisco para interceptação legal

Em 2004, a Cisco escreveu uma proposta da IETF para um backdoor “interceptação legal” para roteadores, que a polícia poderia usar para fazer logon remotamente nos roteadores. Anos mais tarde, em 2010, um pesquisador de segurança da IBM mostrou como esse protocolo poderia ser abusado por invasores mal-intencionados para assumir os roteadores Cisco IOS, que normalmente são vendidos para ISPs e outras grandes empresas.

Os invasores podem explorar esses backdoors e não deixar rastros de auditoria. É assim que o protocolo de interceptação legal foi projetado para que os funcionários do ISP não consigam identificar quando um agente da lei registra os roteadores do ISP (embora a aplicação da lei deva obter esse acesso com uma ordem judicial ou outra solicitação de acesso legal).

Além disso, este protocolo poderia ser abusado por funcionários do ISP porque ninguém mais que trabalha para o ISP poderia dizer quando alguém obteve acesso aos roteadores através da Arquitetura da Cisco para Interceptação Legal.

Novos “Backdoors não documentados” aparecem

Em 2013, as revelações feitas pelo jornal alemão Der Spiegel mostraram que a NSA estava se aproveitando de certos backdoors nos roteadores da Cisco. A Cisco negou acusações de que estava trabalhando com a NSA para implementar esses backdoors.

Em 2014, um novo backdoor não documentado foi encontrado nos roteadores da Cisco para pequenas empresas, o que poderia permitir que invasores acessassem as credenciais do usuário e emitissem comandos arbitrários com privilégios escalonados.

Em 2015, um grupo de invasores patrocinados pelo estado começou a instalar um backdoor mal - intencionado nos roteadores da Cisco, tirando vantagem de muitos dos roteadores que mantinham as credenciais administrativas padrão, em vez de alterá-las para outra coisa.

Em 2017, a Cisco, com a ajuda de um vazamento de dados do Wikileaks, descobriu uma vulnerabilidade em seus próprios roteadores que permitiu à CIA comandar remotamente mais de 300 modelos de switches da Cisco por meio de uma vulnerabilidade de hardware.

Cinco novos backdoors em cinco meses

Este ano trouxe cinco backdoors não documentados nos roteadores da Cisco até agora, e ainda não acabou. Em março, uma conta codificada com o nome de usuário "cisco" foi revelada. O backdoor teria permitido que atacantes acessassem remotamente mais de 8,5 milhões de roteadores e switches Cisco.

No mesmo mês, outra senha codificada foi encontrada para o software Prime Collaboration Provisioning (PCP) da Cisco, que é usado para instalação remota de produtos de vídeo e voz da Cisco.

Mais tarde, em maio deste ano, a Cisco encontrou outra conta de backdoor não documentada no Centro de Arquitetura de Rede Digital (DNA) da Cisco, usado por empresas para o provisionamento de dispositivos em uma rede.

Em junho, outra conta de backdoor foi encontrada no Wide Area Application Services (WAAS) da Cisco, uma ferramenta de software para otimização de tráfego WAN (Wide Area Network).

O backdoor mais recente foi encontrado no Cisco Policy Suite, um pacote de software para ISPs e grandes empresas que podem gerenciar as políticas de largura de banda da rede. O backdoor dá ao invasor acesso root à rede e não há mitigações contra ele, além de consertar o software com a atualização da Cisco.

Independentemente de as contas de backdoor terem sido criadas ou não por engano, a Cisco precisará acabar com elas antes que essa falta de cuidado com a segurança comece a afetar seus negócios.

Ref: Backdoors Keep Appearing In Cisco's Routers

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